Em visita ontem às penitenciárias 1 e 2 de Bauru, o secretário de Estado de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, afirmou que a educação é prioridade para a sociabilização dos sentenciados. Em contatos com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a intenção de Furukawa é que cada penitenciária tenha pelo menos uma sala de aula com professores da rede estadual para os ensinos fundamental e médio.
“A demanda por educação no sistema penitenciário é maior no ensino fundamental. A educação é prioridade nas penitenciárias. A grande maioria mal iniciou os estudos ou não concluiu o ensino fundamental. Há necessidade de salas de aula da Secretaria de Educação dentro das penitenciárias”, diz o secretário. Em Bauru, 905 sentenciados estão matriculados para assistir aulas de alfabetização, ensino fundamental ou médio no Instituto Penal Agrícola (IPA), penitenciárias 1 e 2, de acordo com dados da Fundação de Amparo ao Preso (Funap), referentes ao mês de dezembro do ano passado.
Os números mostram que pouco mais de 30% dos detentos estão inseridos na educação. A Funap mantém três monitores trabalhando em alfabetização, ensino fundamental e médio nas penitenciárias 1 e 2, além de estagiários no IPA, mas agora Furukawa quer professor da rede estadual atuando nos presídios. Ontem, o JC acompanhou a visita do secretário à Penitenciária 2 de Bauru, onde 75% dos sentenciados estudam, participam de oficinas de artesanato ou atividades de laborterapia.
Nas dependências do presídio, empresas de Bauru e região implantaram setores para empregar a mão-de-obra dos sentenciados. Eles fabricam peças de bicicletas, chaveiros, fusíveis de alta tensão, apagadores de lousa e até painéis de metal com imãs usados para colocar fotografias. Trabalhando, o sentenciado tem direito à remissão de pena, ou seja, a cada três dias trabalhados, reduz um dia de pena.
“A pior coisa que existe é a pessoa ficar sem fazer nada o dia inteiro. A laborterapia é uma forma de criar disciplina porque os presos aprendem que existe uma série de regras que precisam ser obedecidas. É uma forma de prepará-los para quando estiverem saindo”, afirma Furukawa.
O sentenciado Danilo Pereira Coppini aproveitou a vista do secretário para reivindicar a possibilidade dos presos terem acesso ao ensino superior, dentro da penitenciária. “Presos do Rio de Janeiro estão assistindo aulas através de videoconferência. O ensino superior é importante para o reeducando ter uma chance maior de ressocialização”, justifica. Ele é um monitores dos detentos e participa da oficina Dia de Visita, um jornal produzido pelos reeducandos da unidade com tiragem de 2 mil exemplares.
A diretora do Centro de Reintegração e Atendimento à Saúde da P2, Lúcia Helena Alves Matheus, ressaltou que as oficinas despertam a criatividade e promovem a ocupação dos reeducandos. “Muitos despertam habilidades que não conheciam antes. O trabalho que eles fazem aqui (na P2) pode mais tarde se tornar uma geração de renda”, argumenta.