Regional

1ª colônia japonesa no Brasil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O sonho da terra própria aliado ao espaço e liberdade para o plantio e água em abundância. Esses eram os atrativos que o Brasil oferecia para os japoneses na década de 15. Iludidos pelas promessas do governo japonês, muitos deles abandonaram a terra do Sol Nascente e vieram como desbravadores.

Uma parte dos orientais se instalou na região Mogiana. Sobreviviam com a ajuda do governo daquele país. Mas, em função da 1ª Guerra Mundial, a ajuda cessou e eles tiveram de procurar outros meios de sobrevivência.

Foi quando Hunpei Hirano procurou o governo brasileiro para adquirir terras e iniciar a 1ª Colônia Japonesa no Brasil. O presidente da Associação Cultural Agrícola e Esportiva Hirano de Cafelândia, Júlio Yamashita, e o responsável pelo templo budista, Issao Makino, lembram que a preferência era por áreas próximas a linha férrea para facilitar o transporte. A região de Cafelândia foi visitada pois contava com esse tipo de transporte.

A área mais próxima ficava a 18 quilômetros da linha férrea, na divisa do rio Dourado com Três Barras. “Ele adquiriu, com a ajuda financeira do governo japonês, 1.620 alqueires que foram divididos em 18 lotes.”

A partir da aquisição, os jovens japoneses começaram a chegar, frisa Yamashita. “Ele abriram picadas e montaram choupanas, posteriormente vieram as famílias. Teve início a plantação de arroz, na área próxima aos rios.”

Quando tudo parecia estar bem, surge a malária. O cultivo do arroz pelo sistema de várzea propiciou a proliferação de mosquito, vetor da doença. Como os orientais desconheciam a doença e estavam desnutridos, ela foi se alastrando e deixando um rastro de morte e tragédia.

Dezenas de famílias foram dizimadas, a maioria pessoas jovens. Foi então que os japoneses resolveram sair de perto do rio. “Eles subiram o rio e começaram de novo a plantar arroz e café.”

Mas, vieram os gafanhotos e acabaram com toda a plantação. Os imigrantes recomeçaram o plantio e veio a geada. “Só se salvaram pés de café plantados nas áreas mais altas.”

Em seguida veio a seca e muitos imigrante desanimaram. Outros, foram se adaptando. “Hoje, a colônia tem pecuária e cana. No auge da colonização, década de 20, havia 300 famílias. Atualmente, são 12.”

A fuga do campo, segundo Issao Makino, é provocada pela pouca rentabilidade das culturas. “Os nossos filhos estudam e vão embora. Alguns vão para o Japão trabalhar e quando retornam, montam seu próprio negócio.”

____________________

Parceria

Cafelândia tem potencial turístico, mas não tem infra-estrutura para receber o turista como ele deve ser recebido, avalia a atual secretária do Turismo Municipal, Maria Amélia Peghin. “Temos apenas um hotel muito acanhado que só oferece pernoite, e um restaurante.”

De acordo com a secretária, o município está tentando fazer uma parceria com uma rede de hotéis de Lins. “Os hóspedes, em sua maioria, são orientais e o hotel nem sabia que o templo budista existia.”

Para atrair o turista oriental o município precisa, na opinião dela, dar uma nova roupagem no paisagismo.

“Estamos tentando uma parceria com o consulado japonês para que seja feito o paisagismo no povoado Hirano, onde está localizado o templo budista.”

Ela acredita que o templo pode ser o ponto mais alto do turismo da cidade de Cafelândia. “Além do templo, temos três festas anuais: a Festa do Peão, Carnaval e a Feira Cultural de Artes e Artesanato de Cafelândia.”

O carro-chefe é a Cafeartes, que surgiu há 25 anos para ajudar na campanha de combate ao câncer, conta. “Ela foi tão bem aceita que se tornou permanente. É uma exposição de artesanato e praça de alimentação.”

Comentários

Comentários