Vinhetas. Para a maioria dos brasileiros, o termo se refere às aberturas de programas de televisão e novelas, que ficaram tão conhecida pelos telespctadores graças aos trabalhos de Hans Donner na Rede Globo. Mas para o doutor em comunicação Sidney Carlos Aznar, o conceito é muito mais amplo e, por isso, muitas vezes contraditório.
“Vinhetas são utilizadas desde antes de Cristo e o seu uso foi sendo adaptado ao longo dos anos, de acordo com o período em que vivemos. Vinheta é um ornamento colocado numa obra já pronta. Encontramos vinhetas em diversas áreas culturais, como em textos, cédulas de dinheiro, nos meios de comunicação e também na arquitetura”. Com essa última área, em mente, Aznar debruçou-se sobre construções contemporâneas com influências neoclássicas de Bauru e Cafelândia, da década de 1930, com resultados surpreendentes.
Durante sua pesquisa, o autor estudou cerca de 36 imóveis localizados no centro de Bauru. Neles, é possível encontrar ornamentos volumosos, com influências do barroco, como os da Igreja do Divino Espírito Santo e da antiga Estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. “As vinhetas arquitetônicas nem sempre correspondem ao estilo utilizado para a construção. Depois de concluída a obra, é feita a vinheta, que funciona puramente como um elemento decorativo, uma espécie de moldura”, explica.
Em Bauru, Aznar ressalta a beleza do prédio onde atualmente funciona uma drogaria, na quadra 4 do Calçadão da Batista de Carvalho. “Já vi muitos prédios do Brasil todo, mas o conjuntos mais bonito que encontrei foi esse da Batista, porque não se refere a nenhum estilo arquitetônico”, coloca.
Para o pesquisador, por trás de cada vinheta, está presente a ideologia dominante do País. “Em Bauru, as vinhetas foram construídas para chamar a atenção dos transeuntes para o poderio econômico dos cafeicultores da região, na época do auge do café”, explica. Mas o que mais fascinou o pesquisador em suas andanças pela cidade foi a forma como foram feitas essas construções. “O que vi em Bauru foram vinhetas arquitetônicas populares, feitas por autodidatas, sem formação acadêmica, que, com pedaços de madeira e barbantes, criavam ornamentos maravilhosos”.
Aznar chama atenção para a importância de conhecer e preservar as vinhetas arquitetônicas. “O homem tem que aprender a enxergar o mundo a sua volta, saber sobre sua própria história, que não está apenas nos livros, mas também nas ruas”, aponta o pesquisador, que lamenta a destruição de muitos prédios, fontes de seu estudo. “Já vi muitos imóveis jogados ao chão. Pessoas que, sem conhecimento, realizaram reformas no local e destruíram uma parte da história”, lamenta.
O pesquisador fez do estudo das vinhetas sua tese de doutorado e depois a adaptou para o livro “Vinheta: do Pergaminho ao Vídeo”, lançado em 1997, pela Editora Art & Ciência. Atualmente, aposentado de sua função como professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Aznar divide-se entre a finalização de seu próximo livro, que abordará a comunicação da vinheta no século XXI, e suas atividades frente a sua empresa de marketing e montagens de cursos pedagógicos, em Cafelândia, sua cidade de origem.