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Adoçante: amigo ou vilão?

Por Carol Hungria | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Eles podem ser a salvação para quem precisa deixar o açúcar de lado e não quer abrir mão dos doces. No entanto, os adoçantes sintéticos - produzidos a partir de substâncias químicas - ainda são alvo de estudos polêmicos em todo o mundo. A principal dúvida dos cientistas é se o produto pode ou não contribuir para a evolução de um câncer. Os de aspartame seriam os mais perigosos. A pesquisa mais recente foi realizada pela Fundação Européia de Oncologia e Ciências do Meio Ambiente B. Ramazzini. Divulgado em julho do ano passado, o estudo concluiu que a substância provocou linfomas e leucemia em ratas.

Mas, segundo os especialistas, este resultado não significa necessariamente que o produto seja um risco à saúde humana. “Existem boatos sobre o aspartame, a sacarina e o ciclamato. Porém, as críticas são baseadas em pesquisas feitas em animais. É difícil transpor os resultados para seres humanos”, diz Janilene Medeiros Pescunha, nutricionista encarregada da divisão de nutrição e dietética da Faculdade de Medicina da USP. “Os estudos feitos em humanos não comprovaram incidências significativas de câncer nem conseguiram relacionar a doença aos adoçantes”, afirma Karla Melo, da equipe especializada em diabetes do Hospital das Clínicas. Outro ponto polêmico envolve o consumo na gravidez. “Também não há provas de que o adoçante faz mal ao feto ou contamina o leite da mãe”, diz a médica.

O produto não é contra-indicado para quem tem gastrite, mas os adoçantes que contêm ciclamato de sódio e potássio podem interferir na pressão. Os adoçantes sintéticos só não são indicados para quem sofre da doença genética fenilcetonúria. Por isso, as embalagens do produto levam o aviso “contém fenilalanina”. “O organismo de quem tem a doença não tem capacidade de metabolizar o aminoácido fenilalanina. O consumo pode causar lesões cerebrais”, pontua Ricardo Amorim, da fabricante Boehringer Ingelheim.

Os adoçantes naturais estão livres da polêmica do câncer, mas também precisam ser usados com cautela. Segundo os especialistas, os diabéticos só podem consumi-los após liberação médica, pois esses produtos contêm mais açúcar que os adoçantes sintéticos.

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