O esporte praticado pelos admiradores de carrinhos de controle remoto, também conhecidos como automodelos radiocontrolados, já teve uma fase áurea em Bauru. Há cerca de cinco anos, a cidade foi sede de uma etapa do campeonato paulista da modalidade. Entretanto, daquele período até agora, o automodelismo “murchou” na cidade devido, principalmente, à desvalorização do real frente ao dólar, o que provocou a “explosão” dos preços dos equipamentos e acessórios dos “modelinhos”, a maioria importados.
Entretanto, o esporte começa a renascer na cidade. Prova disso foi a primeira etapa da 1ª Copa Kaypira de Automodelismo realizada, ontem à tarde, em uma pista do Chalé Hotel. O evento contou com a participação de 20 pilotos de Bauru, Descalvado, Jundiaí, Jaú, Piracicaba e Agudos e terá outras nove etapas ao longo do ano, que serão alternadas entre as pistas de Bauru e do Clube Piracicabano de Automodelismo e efetuadas sempre nos primeiros domingos de todos os meses.
“Com esse campeonato, e o fato dos equipamentos necessários para praticar o automodelismo estarem mais acessíveis em razão do surgimento de marcas nacionais de produtos, felizmente o esporte está renascendo em Bauru”, enfatiza o comerciante Sandro Moretti, fanático pelos automodelos há 12 anos e um dos veteranos do esporte na cidade. E acrescenta:
“A cidade merece isso, pois já é privilegiada em virtude de contar com uma pista específica, algo que poucos municípios paulistas contam”. Ele lembra, ainda, que o número de adeptos também tem crescido na cidade. “O esporte está voltando a ter o agito que tinha antes. Basta ver que todo final de semana tem gente treinando aqui na pista”, enfatiza.
Já Filipe Balestra, outro fã dos automodelos, conta que a Copa Kaypira nasceu em Piracicaba. Após participar de provas por lá junto com outros praticantes, surgiu a idéia de colocar Bauru no “circuito” do automodelismo do Interior. “Acabamos conhecendo o pessoal de lá, que propôs para a gente realizar a competição intercalando as duas pistas. Havia mais cidades interessadas em participar, como São José dos Campos, mas eram muito distantes daqui e ficaria difícil a gente se deslocar para lá varias vezes”, ressalta.
Mas o que os automodelos têm de tão especial que são capazes de atrair desde crianças até adultos? Os “fanáticos” explicam. “Para mim, além da paixão por carros, é a adrenalina que essas corridas dão. É como se você corresse com um veículo grande, mas sem os perigos que isso proporciona”, frisa o comerciante José Benedito Oliveira Ferreira.
“O grande barato é que, para as corridas, você prepara o automodelo utilizando os mesmos princípios que um piloto de Fórmula 1 faz para acertar o carro”, completa Moretti. “O mais gostoso é mexer e dar os peguinhas”, salienta Balestra.
Mas o que é possível fazer em termos técnicos para preparar e “envenenar” os carrinhos? “Quase tudo o que é feito em um veículo comum”, responde José Maurício Leite, outro bauruense veterano do automodelismo. “Pode-se alterar suspensões, escapamentos, alinhamento de rodas e, principalmente, a regulagem e afinação dos motores, que é o grande segredo dos campeões da modalidade”, acrescenta.
Movidos a um combustível chamado de nitrometano, abastecido em um minúsculo tanque de cerca de 75 mililitros que lhe garante autonomia entre cinco minutos e oito minutos, os automodelos são divididos em categorias - diferenciadas pela potência do motor, que pode atingir até seis cavalos, e outras características técnicas - e podem atingir velocidades semelhantes aos bólidos da Fórmula 1. “Dependendo da profundidade e do nível da preparação, eles superam os 300 km/h. Os nossos aqui são bem mais simples, mas são capazes de atingir entre 120 km/h e 140 km/h”, explica Leite.
As próximas etapas da Copa Kaipyra de Automodelismo ocorrerão nas seguintes datas e locais: 5 de março (Piracicaba), 2 de abril (Bauru), 7 de maio (Piracicaba), 4 de junho (Bauru), 2 de julho (Piracicaba), 6 de agosto (Bauru), 3 de setembro (Piracicaba), 1 de outubro (Bauru) e 5 de novembro (Piracicaba).