Um jovem na fase de escolha de carreira tem uma série de perguntas para responder a si próprio até definir-se pela profissão que acredita ser a de sua vocação: escolher uma na qual pode ser mais bem remunerado? Ou a que oferece mais chances de contratação? Optar por uma mais tradicional ou as que se originam da demanda de mercado?
O estudo Retornos da Educação no Mercado de Trabalho, realizado pelo Centro de Políticas Sociais (vinculado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) e recém-lançado, é um guia bem elaborado para o jovem que ainda não decidiu qual profissão seguir, porque fornece respostas para algumas dessas dúvidas, como qual é o retorno de diferentes carreiras universitárias. Apresenta, por exemplo, rankings das profissões em nível nacional e detalhados para os 27 estados e 200 maiores municípios do País, respondendo questões como as colocadas no primeiro parágrafo.
O levantamento vai ainda mais longe e avalia o impacto educacional no desempenho trabalhista. O resultado não poderia ser outro, evidenciando a educação como aspecto fundamental e indispensável à construção e manutenção das carreiras: quanto mais se estuda, melhor é a remuneração do profissional. Hoje, no Brasil, os mais bem remunerados são os pós-graduados em administração. Mas quando os fatores salário e empregabilidade são combinados, os líderes gerais são os médicos com nível de doutorado, intitulados pelo estudo como “doutores ao quadrado”, com salários de R$ 5.091 e 93% deles ocupados.
Mas o estudo da FGV faz com que haja reflexão sobre uma outra questão: quantos têm, realmente, acesso à educação de qualidade, que garanta um bom futuro profissional? Dados como os levantados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saerb) são desanimadores: aproximadamente 55% dos alunos de 4ª série de nível fundamental se situam no estágio crítico ou muito crítico em língua portuguesa, apresentando sérias falhas em leitura e interpretação de textos simples. O mau desempenho continua em matemática. Um total de 51,6% dos alunos de 4.ª série está em situação crítica ou muito crítica, mesmo estágio de alunos de 8ª série e 3.ª série do nível médio nessa disciplina.
Como esperar que, desse nível de formação, surjam profissionais qualificados e preparados para serem remunerados de acordo com seu bom nível educacional? A resposta é imperativa: o investimento na qualidade da educação deve ser tratado com a prioridade que merece.
O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp