Enquanto cidades como Bocaina, Avaí e Santa Cruz do Rio Pardo reabrem seus cinemas após longos anos de inatividade, outras seguem o caminho inverso. Em Pirajuí, o fechamento da única sala de exibição ocorreu há cerca de duas semanas. Em Barra Bonita, o cinema vive um período conturbado, com conflitos de interesses e protestos pelo não-cumprimento de cláusulas contratuais.
O caso mais sério está sendo vivenciado pelos moradores de Pirajuí. Depois de quase 20 anos sem nenhuma sala de exibição, o cinema foi reaberto no dia 7 de abril de 2004, mas não sobreviveu por muito tempo. Um dos proprietários do cinema, José Roberto Pelegrinelli Mai, alega que estava tendo prejuízo com as exibições. Segundo ele, o índice de ocupação da sala era muito baixo e não conseguia arrecadar o suficiente para cobrir as despesas de cada sessão.
Nem o preço baixo dos ingressos foi suficiente para estimular a presença dos moradores. O ingresso mais caro, segundo Mai, custava R$ 6,00. Estudantes pagavam a metade desse valor. Com capacidade para 209 pessoas sentadas, o cinema esteve cheio poucas vezes. “Dá para contar no dedo”, relata o empresário.
Logo no começo, o público até que se entusiasmou com a novidade. Muitos dos freqüentadores, principalmente os mais novos, nunca haviam assistido a um filme em tela grande. Nessa época, algumas sessões chegaram perto da lotação máxima. Mas com o tempo, a coisa foi esfriando até chegar em uma média de 10 a 15 espectadores por sessão.
“Se eu continuasse, com certeza, iria ter um prejuízo ainda maior”, revela o empresário, que também é responsável pelos cinemas de Barra Bonita, Pederneiras, Matão, Araraquara e Lençóis Paulista.
Mai conta que investiu cerca de R$ 120 mil para transformar o cinema de Pirajuí em um local confortável. “Fizemos uma sala moderna, com poltronas novas e estávamos exibindo filmes recentes”, diz o empresário. Nem assim o cinema emplacou na cidade. “Houve divulgação dos filmes o tempo todo”, relata Mai, sem esconder o desânimo pela falta de interesse dos moradores.
Sem retorno financeiro, o cinema de Pirajuí fechou novamente suas portas. Com isso, quem é amante da sétima arte terá de se deslocar para cidades vizinhas para acompanhar algum lançamento.
A despedida ocorreu de forma melancólica no dia 19 do mês passado, após a exibição do filme King Kong – megaprodução lançada no fim do ano passado. Se não deu certo em Pirajuí, com certeza dará em outra cidade, acredita o empresário. Segundo ele, “cinema nunca fecha, apenas muda de lugar”.