Brasília - A Polícia Federal (PF) apreendeu ontem, em 13 locais diferentes, em São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, carros, jóias, armas, dinheiro de papel e notas de reais, dólares e euros verdadeiras pertencentes a uma quadrilha que aplicava golpes em empresários dispostos a “comprar” caixa dois de campanhas políticas. O chamariz para as vítimas estava no lucro.
Os falsários ofereciam aos empresários a oportunidade de ganhar três reais para cada um investido. Mas, na hora de fechar o negócio, a mala de dinheiro que a vítima recebia só tinha notas verdadeiras na primeira camada. Todo o restante era recheado com cédulas de papel, até com carimbo de “não tem valor”.
O negócio, aparentemente imperdível, era reforçado com o argumento de que o dinheiro frio, recolhido em esquemas de caixa dois, estava em notas seqüenciadas e precisava ser distribuído. Daí oferecer uma taxa de retorno tão grande para a troca do dinheiro com os empresários. Ao abordar a vítima, os irmãos Elias e Getúlio da Silva se apresentavam, com nomes falsos, como assessores de um senador ou deputado chamado Luiz Carlos Guimarães.
A ficção encobria, na verdade, Antônio Silvério da Silva. A quadrilha tinha outros cinco integrantes, que atuavam na confecção, transporte e distribuição das notas de papel, bem como na rede de contato com as vítimas. A PF indiciou os oito por formação de quadrilha e estelionato, crimes cujas penas podem chegar a cinco anos de prisão.
A PF pediu a prisão preventiva dos oito integrantes à Justiça. O pedido não foi atendido, e o grupo segue em liberdade.