Teerã - O jornal de maior circulação no Irã, o “Hamshahiri”, anunciou ontem o lançamento de um concurso de charges sobre o Holocausto, como retaliação à publicação por jornais europeus de charges sobre o profeta Maomé. Segundo o jornal iraniano, o concurso quer “testar os limites da liberdade de expressão”, evocada no Ocidente para justificar a agressão contra o profeta. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, disse ontem que as charges do profeta fazem parte de “uma conspiração sionista”.
O Irã vem adotando a negação do Holocausto como política oficial. O presidente Mahmoud Ahmadinejad qualificou recentemente de “mito” o extermínio de 6 milhões de judeus pelo nazismo.
Manifestantes cercaram pelo segundo dia consecutivo a Embaixada da Dinamarca em Teerã e atiraram pedras e coquetéis molotov contra o prédio. Em Copenhague, o ministro das Relações Exteriores, Per Stig Moeller, telefonou para o chefe da diplomacia iraniana e exigiu que suas instalações recebam das autoridades locais a proteção prescrita pelas leis internacionais. O ministro iraniano do Comércio, Masoud Mirkazemi, anunciou que estavam suspensos todos os contratos com empresas dinamarquesas. O Ministério da Saúde anunciou o cancelamento da compra de equipamento médico da Dinamarca.
Até agora, os apelos ao boicote de produtos dinamarqueses eram lançados em atos públicos e não tinham a dimensão oficial. Em Praga, o comissário europeu para o Comércio Exterior, Peter Mandelson, disse que o Irã precisaria pensar duas vezes antes de oficializar o boicote, pois este seria automaticamente estendido aos 25 países da UE.