Polícia

Sem resgate, aposentado é libertado

Luciana La Fortezza e Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma cabana improvisada no Horto Florestal de Águas de Santa Bárbara, a cerca de 80 quilômetros de Bauru, serviu como cativeiro para o aposentado Dimas Médola, 52 anos, morador de Lençóis Paulista. Ele foi liberado ontem à noite após permanecer pouco mais de 24 horas em poder de um grupo, que exigiu R$ 1,5 milhão para soltá-lo. O seqüestro pode estar relacionado com prejuízos decorrentes do fechamento do Banco Estrella na cidade, em 2004.

A suspeita foi levantada pela polícia porque, anteontem à noite, no primeiro contato com a esposa de Dimas, os seqüestradores pediram para que ela anotasse e passasse, através de seu filho, um código para Osvaldo Estrella (dono do banco). Nervosa, a mulher não teve tempo de registrar os números porque deixou o telefone cair e a ligação foi cortada. Já num outro contato realizado na manhã de ontem, o grupo informou que só negociaria a liberdade de Dimas com o filho dele.

Roberto César Médola, conhecido como Téo, é também genro de Osvaldo Estrella. Segundo a polícia informou, ele não chegou a ter contato com os seqüestradores, que desistiram da ação, mesmo sem receber o valor requerido.

Liberdade

Segundo relatou à polícia, ontem à noite, os seqüestradores mandaram que Dimas saísse da cabana correndo, sem olhar para trás. A vítima, algemada, pegou a estrada principal do Horto Florestal por onde seguia de carro o administrador da área verde. Dimas insistiu por socorro e foi levado ao posto da Polícia Militar, para onde seguiu para o plantão da Polícia Civil. Embora muito assustado, ele teria sido bem tratado. Ao menos, foi alimentado e não apresentava ferimentos físicos aparentes.

O aposentado foi levado pelo grupo do sítio do qual é proprietário em Lençóis Paulista. Dimas estava na propriedade acompanhado pelo oficial de montagem Odair Modesto de Souza, 39 anos, e pelo pintor Clodoaldo Alves, 31 anos.

Os trabalhadores contaram à polícia que os três estavam abaixados num chiqueiro medindo um serviço, quando foram surpreendidos por quatro homens armados e encampuzados. Consta no boletim de ocorrência que o trio foi obrigado a deitar-se no chão e, posteriormente, foi encampuzado com tecido improvisado. Os três tiveram as mãos presas para trás.

Conduzidos, seguiram por um pasto a pé, atravessaram um brejo, passaram por uma cerca de arame farpado e três cercas lisas. Quando chegaram próximo ao canavial, um dos seqüestradores teria dito que “agora estavam sossegados”, consta no registro policial. Também teria informado que só se interessavam por Dimas e o levaram de lá. Os outros dois ficaram sentados no local, acompanhados por um integrante do grupo.

Depois, os conduziram para mais adiante. Amarrados, os fizeram sentar e disseram que só poderiam sair caminhando após uma hora. Alertaram ainda que, se um deles virasse e os identificasse, seriam baleados. Quando se desvencilharam das amarras e voltaram para o sítio, a esposa de Dimas já tinha recebido a primeira ligação.

O caso já está na mira do Grupo Especial Anti-Seqüestro e da unidade de inteligência do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4). A ação da polícia, iniciada anteontem, pode ter precipitado o fim do caso.

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