Política

Emdurb corta 37 e Tuga lembra Baneser

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A direção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) realizou ontem a demissão de mais 37 funcionários, boa parte aposentados recontratados. Para o prefeito Tuga Angerami (PDT), a empresa municipal vai adequar sua estrutura ao volume de serviços prestados para deixar de ser um “Baneser”, cabide de empregos mantido nos governos do Estado durante as gestões de Orestes Quércia (PMDB) e Luiz Antonio Fleury Filho (PTB) (leia abaixo).

O presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB), afirma que, com as rescisões realizadas ontem, chega a 60 o número de funcionários demitidos desde a realização da auditoria contratada junto à Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), divulgado no final do ano passado.

Mas o governo quer que o quadro da Emdurb seja reduzido em mais da metade dos pouco mais de 600 funcionários existentes. A maior parte dos cortes vai ocorrer no setor de limpeza pública, com a transferência para a iniciativa privada dos serviços de coleta de lixo domiciliar e hospitalar, operação do aterro sanitário e varrição.

“Foram realizadas 37 notificações neste momento, seguindo os critérios adotados de reduzir o quadro a partir da mão-de-obra que estava cedida, depois os recontratados e outros que pertencem a setores que estão sendo enxutos. No total, chegamos a 60 funcionários demitidos até agora, sendo cerca de 20 aposentados e alguns da área administrativa. Antes já tinham sido dispensados 17 cedidos e mais 10 de setores diferentes”, resume Purini.

A exemplo das demissões do final de 2005, nesta etapa o Executivo vai participar com aporte financeiro para a quitação dos compromissos trabalhistas. Segundo Purini, as 37 demissões implicam em despesa de R$ 300 mil com rescisão. “A prefeitura vai ajudar e discutimos isso com o prefeito”, cita.

Sobre os próximos passos das ações de enxugamento, o presidente menciona que “a Emdurb continua em fase de reestruturação”. Nos próximos dias, a presidência vai analisar o impacto das dispensas para a folha de pagamento, que era de R$ 900 mil até o ano passado.

Auto-suficiente

O prefeito Tuga Angerami reforça que o processo de enxugamento da Emdurb ainda vai passar por sua fase mais aguda, com as terceirizações dos serviços de coleta, operação do aterro sanitário, varrição e terminal rodoviário. O objetivo do governo é tornar a Emdurb auto-suficiente, gastando somente o que arrecada.

“O diretor financeiro Paulo Gobbi está realizando o serviço de despir a Emdurb totalmente, fazendo levantamento de custos por cada setor. Esse processo ainda não terminou, passando pela abertura dos centros de custos. O enxugamento do quadro é permanente e não é só do operacional, mas também da área administrativa”, aborda Angerami.

Ele disse que as medidas seguem uma regra discutida com a direção da Emdurb. “Se você reduz o quadro de servidores em 10%, também tem que reduzir a administração em 10%. Não tem sentido manter recursos humanos, assessorias e outros na mesma proporção e isso está sendo feito”, cita.

A administração municipal prepara para os próximos dias a publicação do edital de licitação para a terceirização de serviços da Emdurb. O edital de licitação vai compor dois blocos, sendo um do serviço de coleta de lixo domiciliar e outro do lixo hospitalar.

____________________

Caso Baneser

Lembrada por Tuga, Baneser foi a empresa constituída durante o governo estadual de Orestes Quércia que passou a abrigar a contratação de mão-de-obra sem concurso público, incluindo parentes de políticos e aliados. Os funcionários eram distribuídos para diferentes secretarias do governo.

Quando o ex-governador Fleury Filho sucedeu Quércia no governo, o Baneser contava com cerca de 1.000 funcionários, passando para 20 mil ao longo dos anos seguintes.

O prefeito Tuga Angerami disse que, em Bauru, o levantamento de pessoal visa identificar quanto custa cada serviço e estrutura da Emdurb. Ele promete que a empresa vai deixar de ser o “Baneser de Bauru”.

“Precisamos saber quanto custa manter o serviço de fabricação de placas, de operação do aterro, de varrição. Pela primeira vez está se abrindo os centros de custos em cada serviço. A Emdurb não vai mais continuar sendo um Baneserzão, com empregados desnecessários e começou pelos cedidos. O governo não tem dinheiro para investir na Emdurb em sua estrutura”, completa.

Comentários

Comentários