Polícia

Acusado de mostrar órgão genital a criança escapa de linchamento

Da Redação
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“Eu não fiz nada, não ataquei ninguém”, gritava V.E.G. (a polícia não divulgou o nome completo) ao deixar a sala de sutura do Pronto-Socorro Municipal de Bauru na manhã de ontem. Com o rosto machucado e com marcas de sangue nas roupas, ele tentava se livrar dos fotógrafos. Não queria aparecer como o rapaz de 26 anos acusado de mostrar o órgão genital para uma menina de 3 anos no Jardim Petrópolis e em seguida quase ter sido linchado. Revoltados, moradores do bairro agrediram o rapaz.

A reação da população aconteceu um dia após, em São Carlos, uma mãe ter matado um adolescente de 15 anos que violentou seu filho de 3 anos. Mostrar o órgão genital, ato classificado como crime, foi uma atitude reincidente de V.E.G., que ontem foi preso. Em seu ‘currículo’ ele tem um estupro, uma tentativa de estupro e um ato obsceno nos últimos seis anos. Com a ‘exibição’ de ontem, o rapaz acumulou mais um ato obsceno. A tesoura que ele carregava -ele disse ser jardineiro - ainda conservava o brilho de nova, sinal de que não havia sido usada.

Ontem, ele estava na rua Tertuliano Andrade, no Jardim Petrópolis, quando avistou um grupo de crianças brincando na calçada. Dentre elas, havia uma única menina, a vítima do ato obsceno.

Segundo a polícia apurou, o rapaz se aproximou da menina e começou a conversar com ela, ao mesmo tempo que abria a braguilha da calça até colocar o órgão genital próximo ao rosto dela. O irmão da garota, que também brincava na calçada junto com outros dois meninos, percebeu a atitude do desconhecido e chamou pela mãe. “Meu filho de 11 anos entrou gritando em casa. Ele dizia que o homem estava mostrando o pênis para a irmã”, conta a mãe, cujo nome o JC está preservando para evitar constrangimento da vítima e sua família.

A mãe foi ao encontro da menina, que estava muito assustada. “Ela contou direitinho o que aconteceu. Eu corri atrás dele e gritei por socorro, pedia para as pessoas segurarem ele”, relata a mãe. Os moradores do Jardim Petrópolis, que ouviram o pedido da mãe desesperada, não pensaram duas vezes e correram atrás do acusado, que se embrenhou em um matagal. “Tinha mais de 50 pessoas batendo e atirando pedras e restos de tijolos nele” relembra Helton Carlos Basílio, um vizinho da vítima.

De acordo com ele, eram homens e mulheres tentando linchar o acusado. “Ele ficou todo machucado. Uma pessoa não deixou bater mais, até que a polícia chegasse. Se ele ficasse na mão dos revoltados, teria morrido”, avaliou.

Preso, V.E.G. foi encaminhado para o Pronto-Socorro Municipal. Depois de medicado, foi autuado em flagrante por atentado violento ao pudor pela titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Rejani Borro Ortiz Tiritan. “Ele é reincidente. Sei que tem várias passagens, já respondeu inquérito, mas não posso precisar se ele já cumpriu pena, se aguarda julgamento ou se foi absolvido pela Justiça.”

A delegada informou que o rapaz foi preso em flagrante por estupro em 1998, por tentativa de estupro em 1999 e respondeu por termo circunstanciado por atentado violento ao pudor em 1999.

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Palavra de mãe

A mãe da menina vítima do ato obsceno afirma que não tem o costume de deixá-la sair na rua. “Que isso sirva de alerta para outras mães. Hoje (ontem) eu deixei minha filha na calçada, por alguns minutos e aconteceu isso.”

A vítima conta com desenvoltura, sem conhecer a gravidade dos fatos, que estava brincando quando o homem mostrou as tatuagens e em seguida o pênis para ela.

A avó da menina relata que tudo foi muito rápido e que aprova a atitude dos vizinhos. “Tenho certeza que ele nunca mais aparece por aqui”, diz.

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