Regional

Após 2 anos, Duartina tem homicídio

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Duartina – Depois de dois anos sem registrar um homicídio, a polícia de Duartina (38 quilômetros de Bauru) prendeu ontem, em flagrante, Sirlene Almeida Giacomini, que será indiciada pela morte do marido, Márcio Roberto Giacomini, e por tráfico de entorpecentes.

De acordo com o delegado de polícia da cidade, Antônio Augusto de Campos Lima, Sirlene teria procurado a polícia alegando que seu marido, por volta das 3h30 de ontem, supostamente teria caído sobre uma faca, no interior da residência, e morrido em seguida.

No local, uma casa localizada dentro de um cortiço na área central da cidade, os policiais encontraram sinais de violência e suspeitaram não se tratar de um acidente. Sirlene teria então confirmado à polícia que havia discutido com o marido e relatado que ele teria tentado enforcá-la, além de ameaçá-la com uma faca.

Segundo o delegado, a polícia já havia recebido denúncias de tráfico de entorpecentes no local. Com um mandado de busca domiciliar em mãos, ele e o investigador Lucas Ari Fernandes, depois de entrarem na residência, encontraram invólucros de maconha debaixo da geladeira e também sobre a cama, onde estava o corpo de Márcio.

Evidências colhidas durante a investigação e depoimentos dos vizinhos levaram a polícia a suspeitar de Sirlene. Apesar dela negar ter matado o marido, os policiais encontraram vestígios de sangue no corpo de Sirlene, que teria confessado ter ligação com o tráfico de drogas.

Conforme seu relato à polícia, Sirlene disse que seu marido devia dinheiro a outros traficantes, motivo que gerava brigas constantes entre o casal, inclusive com trocas de agressões.

Brigas constantes

De acordo com Maria Aparecida, vizinha do casal, os dois viviam brigando e se agredindo. Segundo ela, Márcio trabalhava em uma agência dos Correios e morava com a mulher havia cerca de cinco meses no local. “Eu conhecia ele, mas raramente conversava. Ele trabalhava no Correio e faz uns quatro ou cinco meses que eles moravam aqui. As brigas aconteciam direto”, lembra Aparecida.

Laurindo Moreira Figueiredo, outro vizinho do casal, conta que não mantinha amizade com eles mas que também chegou a ouvir brigas. “Não conhecia eles muito bem, nós só cumprimentávamos. Eles brigavam. Eu sou meio surdo, mas de vez em quando eu escutava (as brigas)”, conta.

Figueiredo lembra que só soube do ocorrido quando o dia amanheceu. Por outro lado, Aparecida diz ter ouvido um grito durante a madrugada. “Eu estava dormindo e escutei um grito, era umas 3 horas da manhã, depois aquietou. Era um grito de homem”, relata a vizinha do casal.

Antônio Lopes Pereira Filho, vizinho da frente, conta que sempre havia movimento intenso de pessoas na casa do casal, mas ressalta que, apesar disso, o lugar era tranqüilo. “Tinha muito movimento na casa, de colegas deles, acho. Aqui é um lugar tranqüilo, foi a primeira vez que aconteceu isso (homicídio)”, lamenta.

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Sob controle

O delegado Antônio Augusto de Campos Lima explica que o último homicídio ocorrido na cidade foi em 2004. Ele acredita que, apesar da polícia ter um quadro de funcionários deficitário, está conseguindo, na medida do possível, controlar o tráfico de entorpecentes no município.

“Entorpecente é uma coisa que não aparece em estatísticas. Nós acreditamos que temos um certo controle aqui na cidade. A gente conhece todo mundo e sabemos que, infelizmente, o entorpecente é consumido e comercializado. Só que isso demanda investigações mais aprofundadas, com tempo e em campanas. E a gente está com o quadro de funcionários deficitário”, comenta.

A perícia técnica esteve ontem no local do assassinato e o corpo da vítima foi enviado para o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru para exame necroscópico. A polícia lavrou Auto de Prisão em Flagrante Delito de Sirlene Almeida Giacomini pela prática dos crimes de homicídio e tráfico de entorpecentes.

“Ela (Sirlene) está presa e à disposição da Justiça. O juiz já foi comunicado e encaminhado para ele uma cópia do auto de prisão em flagrante. Ela está presa na Cadeia Feminina de Duartina. Agora, a gente espera concluir o inquérito até amanhã (hoje) e encaminhar para o Fórum já relatado”, conclui o delegado.

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