Internacional

Argentina descobre aftosa perto do Brasil

Folhapress
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Buenos Aires - O governo argentino informou ontem ter detectado um foco da doença em um rebanho na Província de Corrientes, próximo à fronteira com o Paraguai. Segundo a Senasa, o órgão nacional sanitário do país vizinho, 3.067 animais ficaram expostos ao vírus do tipo O e 70 deles apresentam sinais clínicos da doença. O rebanho será sacrificado. A entidade informou que, numa varredura da área, não se encontrou outros focos na região.

Desde 2003 o país não registrava casos de febre aftosa. De acordo com o governo, o gado, da raça Braford, estava corretamente registrado e vacinado e se investiga agora como a contaminação aconteceu. Uma das hipóteses é que o vírus seja originário do Brasil, onde ocorreu o último foco da doença na região (Paraná e Mato Grosso do Sul, no ano passado). Outra hipótese é que a vacina aplicada no ano passado tenha falhado.

A Senasa informou que vai acelerar e intensificar a vacinação dos rebanhos deste ano, que começou em 1 de fevereiro. Uma equipe de veterinários foi enviada a Corrientes, e todos os estabelecimentos pecuários do Departamento de San Luis del Palmar estão interditados. A Senasa disse ter informado o problema aos países vizinhos e blocos econômicos importadores da carne argentina.

A exemplo do que aconteceu no Brasil em outubro passado, a confirmação de casos de aftosa no país vizinho deve trazer prejuízos imediatos e por pelo menos mais seis meses ao setor pecuário. A Argentina exporta cerca de 23% do que produz de carne e, também impulsionado pela restrições ao produto brasileiro por conta da doença, bateu recorde de vendas no Exterior em 2005: US$ 1,4 bilhão (600 mil toneladas, 25% a mais do que ano anterior, segundo dados oficiais).

Diferentemente do Brasil, onde tanto a certificação dos rebanhos quanto o embargo à exportação é feita por Estado, na Argentina só há uma grande divisão: norte e sul, separadas pelo paralelo 42. A Província de Corrientes fica no norte, principal área da pecuária. Com o anúncio de ontem, a carne argentina fica fora, por seis meses, do mercado chileno - o terceiro destino da exportação argentina (US$ 145 milhões em 2005). Pelas regras do Chile, uma vez detectado o foco de aftosa, o bloqueio é automático por seis meses.

A aftosa também deve se refletir na queda-de-braço entre produtores e o governo argentino. O presidente Néstor Kirchner subiu o imposto de exportação de carne para forçar maior oferta no mercado interno e frear a alta do produto (mais de 20%, contra 12,3% de média). Dias atrás, tentou acertar acordo para congelar o preço, mas nem todas as entidades do setor aderiram, por cobrar de Kirchner a diminuição da carga tributária. Agora, a expectativa é que a oferta interna aumente, ajude a queda de preço e estimule o governo a revisar os impostos.

O Ministério da Agricultura anunciou ontem que o Brasil embargou as importações de animais e carnes procedentes de Corrientes (Argentina), onde foi detectado um foco de febre aftosa. Carnes maturadas e desossadas estão fora da proibição. De acordo com o ministério, a medida é a mesma adotada inicialmente pelo governo argentino quando foi anunciado o primeiro foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, em outubro do ano passado. Depois houve a ampliação do embargo argentino. Outra providência a ser adotada pelo governo brasileiro vai ser reforçar a fiscalização das localidades próximas ao foco para evitar o trânsito de animais. O ministério avalia que a medida é muito importante pois o foco está localizado a cerca de 280 quilômetros do Rio Grande do Sul.

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