Política

Para Tobias, PSDB optará por Alckmin

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Defensor de carteirinha do nome do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para disputar a eleição presidencial contra Lula, o deputado estadual tucano Pedro Tobias acredita que dentro da legenda setores majoritários apostam nas vantagens do governador na disputa com o prefeito de São Paulo, José Serra.

Entre vários argumentos, Tobias aponta um não tão difundido, mas que estaria levando tucanos a sair “de cima do muro” em apoio a Alckmin: ao avaliar o risco da derrota, presente em qualquer disputa eleitoral, o PSDB, em sua opinião, levaria em conta que perder três anos de mandato em São Paulo seria muito ruim para o partido.

Leia os principais trechos da entrevista, ontem à noite, na véspera da visita do governador a Bauru, com chegada prevista para às 9 horas de hoje, no aeroporto. Alckmin vai vistoriar obras em andamento patrocinadas pelo governo do Estado.

Jornal da Cidade - O que há, além da ligação com Alckmin, no esforço das bases do PSDB, sobretudo no Interior, em defender a candidatura dele à sucessão de Lula no lugar de Serra?

Pedro Tobias - Tem duas partes. Primeiro, Geraldo Alckmin está terminando seu mandato, tendo sido seis anos vice e seis anos governador, e mostrou, como poucos no Brasil, que após três mandatos do partido no governo a avaliação é de 80% de aprovação. E isso é pela eficiência na gestão. Para 2006 tem quase R$ 10 bilhões de investimentos e a União inteira tem R$ 15 bilhões. E olha a diferença de arrecadação. A eficiência de gestão credencia Geraldo Alckmin e no Interior ele ajudou muito mesmo e firmou carinho natural. E segundo é porque o País precisa de um homem bom administrador e eficiente, que não desperdiça dinheiro. Além disso, é claro que seu perfil sereno e equilibrado para lidar com a vida pública se evidenciam neste momento de crise. Não existe mais milagreiro que vai resolver todos os problemas. E o Geraldo preenche esses requisitos.

JC - Mas José Serra é economista, também com perfil de administrador, político habilidoso e experiente, além de ter seu nome mais difundido que Alckmin nos 4 cantos do País?

Tobias - Não vou falar que José Serra não é um bom nome, não vou ser injusto. Ele está preparado para tudo hoje, entre os nomes para administrar qualquer lugar. O PSDB tem candidatos bons. Mas mesmo Serra sendo mais conhecido, porque já disputou eleição nacional, Geraldo tem mais chance de crescer hoje na penetração popular que Serra. Em São Paulo, Alckmin bate Serra ou Lula em 70%, mesmo com toda a penetração do Serra de antes. Para mim, Serra está na sua posição por ser conhecido, mas Alckmin está muito bem e só ele reúne condições de crescer. E tem outro fator para o PSDB que poucos falam: avaliar o risco da derrota. Com quem o partido perde menos?

JC - Para você, vai pesar muito a avaliação do risco da derrota para o partido escolher o nome a presidente?

Tobias - Os tucanos já estão avaliando que, se perder a eleição, o que é risco do jogo, da disputa, será muito pior com o Serra candidato. Escolher Serra significa correr o risco de perder o comando da prefeitura de São Paulo por três anos. Com o Alckmin não, ele já está no final de um mandato de seis anos e ainda vai batalhar para fazer o sucessor no Estado. Isto pesa muito. Vai perder a Presidência da República e perder a capital do maior Estado do País, maior que muitos países? E você acha que o PSDB avalia só quem tem mais intenção de voto neste momento para enfrentar o Lula? O Lula está ferido, mas não está morto e tem a máquina pública espalhada por todo o País.

JC - Então você também é adepto dos que calculam que uma parte da população rejeita deixar o mandato no início para disputar outra eleição, como aconteceu com você quando estava na Assembléia e tentou a prefeitura?

Tobias - A oposição vai usar isso, é claro, e uma parte da população não gosta mesmo, não aceita, precisa reconhecer. Foi comigo assim. Se o PSDB não tem outro nome, só tem o Serra, tudo bem. Eu vou nas ruas e faço apelo pelo seu nome, pelo interesse nacional. O Geraldo está bem posicionado e não tem esse problema e em alguns lugares ninguém ainda nem o conhece, mas vai conhecer e aí ele cresce muito. Eleição nacional é na televisão. O partido não vai escolher seu candidato só porque um está um pouco na frente do outro. Tem projeção de crescimento, rejeição e esses outros fatores.

JC - O próprio PSDB não reconhece, em sua propaganda oficial na TV, que a marca Alckmin é pouco conhecida no País, daí difundir o nome Geraldo, de melhor assimilação no Norte, Nordeste, onde a marca Serra tem mais solidez?

Tobias - Mas é natural porque o Serra foi candidato a presidente, ministro da Saúde, e foi muito bem na disputa com o Lula. O Germano Rigotto (PMDB) começou com 1% de intenção de voto no Rio Grande do Sul e venceu a eleição. O Fernando Henrique começou com 3% quando foi candidato pela primeira vez. O Alckmin tem marca de gestão e na televisão vai mostrar seu trabalho em São Paulo. E ele é bom de televisão, sabe falar e isso em uma eleição nacional é importante também. O Serra e o Lula já chegaram no limite de intenção de voto e o Alckmin está bem e a margem de indecisos é muito grande.

JC - Mas, na hora de conversar com aliados, o Serra tem três anos de gestão para dar ao PFL em São Paulo e o Alckmin nove meses no Estado, por exemplo?

Tobias - Vamos ser aliados do PFL. O PFL tem essa vantagem com o vice do Serra na capital, mas também vai avaliar a posição do partido no Estado. Pega três anos e corre risco de ficar de fora no comando do Estado. A polarização será com o PT. Está quase fechado com o PSDB o PFL, o PPS e uma ala do PTB, do Campos Machado, seja qual for o nome do PSDB. Eu sou parcial, defendo o nome do Alckmin. E com o fim da verticalização cada partido vai fazer o que quer nas regiões.

JC - Circula entre tucanos que, se Alckmin foi bem, lhe faltou uma marca própria de gestão, que não fosse a continuidade? Como o senhor vê isso?

Tobias - O grande professor do PSDB foi o Covas e, nessa sabedoria, aprendemos que o político inteligente continua um bom projeto. Vai mudar de nome ou cara só para dizer que isso é obra ou marca minha. Isso é um dos dramas do Brasil. Muda governo, muda tudo ou pára programas importantes porque não é a marca registrada de uma pessoa. O Geraldo não fez isso e aprendeu bem com seu professor, o Covas. Posso ser atrevido em falar isso, mas tem disputa de geração também em partido, dentro do PSDB e dentro da classe política.

JC - O Serra está sendo individualista e não partidário, ao não assumir sua candidatura, deixando eventual disputa interna também em aberto?

Tobias - O Alckmin foi honesto, colocou sua candidatura e avisou que vai se licenciar. O mínimo que o Serra deveria fazer, como militante do PSDB, era retribuir o apoio que o Geraldo lhe deu na eleição para a prefeitura de São Paulo e declarar, agora, seu apoio ao Geraldo à Presidência. É uma questão natural, de partido, e de oportunidade. O Alckmin saiu nas ruas pedir voto para o Serra e sem o apoio dele era difícil ganhar de Marta Suplicy. Agora é a vez do Alckmin. O mínimo é o Serra declarar apoio a ele agora.

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