Quando terminou o culto de anteontem à noite na Igreja Assembléia de Deus Ministério Madureira, localizada na rua Laudino de Matos, no Parque Real, região oeste de Bauru, os fiéis voltaram para suas casas e não imaginavam que a chuva pudesse causar o desabamento do pequeno templo que fica abaixo do nível das demais casas. Por volta da meia-noite, quando todos já haviam saído, a enxurrada acabou canalizando e caindo sobre o telhado de amianto da igreja, que desabou fazendo com que as paredes cedessem e que toda a estrutura fosse ao chão.
A moradora de uma casa localizada nos fundos da igreja, em terreno mais alto, Jane Aparecida de Oliveira, viu quando a enxurrada entrou pela cozinha de sua residência e continuou descendo, percorrendo o quintal e chegando com força até a igreja. Ela estava conversando com uma vizinha e tentando retirar móveis de sua casa quando ouviu um barulho forte. “Não queria acreditar que a igreja tinha desabado. Ouvi o estrondo e chamamos rapidamente o pastor e outras pessoas vieram ver”, afirma.
Com o desespero, os vizinhos não se lembraram de ligar para os bombeiros. Na manhã de ontem, os moradores e fiéis contabilizaram as perdas. Dentro da igreja, em instalações provisórias, haviam cestas básicas e caixas de leite que seriam doadas à comunidade carente, amanhã. Alguns moradores levaram para casa parte dos alimentos que não molharam. “Agora, vamos reconstruir a igreja porque não podemos deixar de atender à comunidade do bairro”, diz o pastor Edemilson Belizoti.
Os fiéis asseguraram que, mesmo sem estrutura física, o culto seria realizado ontem à noite, ao ar livre. Aos domingos, os voluntários servem lanche gratuitamente para aproximadamente 80 crianças. “Neste domingo, daremos um jeito e as crianças não ficarão sem o lanche”, assegurou.
Para os moradores, a igreja desabou porque não há vazão para a água da chuva. “Pelo menos cinco bueiros estão entupidos. Tem lixo e terra dentro deles. Faz tempo que a prefeitura não limpa”, afirma o morador do bairro, Lourival de Miranda. A água da chuva entrou em três casas que ficam em terreno acima da igreja e outra que fica abaixo.
Com medo de perder os móveis e aparelhos eletrodomésticos, Oliveira começou a limpeza de madrugada mesmo. “Além da água que entrou pela cozinha, os ralos dos dois banheiros começaram a transbordar”, afirma a moradora. Ela conta que foi a primeira vez que a enxurrada invadiu a residência. No quintal, o filho mais novo conseguiu salvar galinhas e um pintinho, que acabou abrigado dentro da máquina de lavar roupas.
Em terreno abaixo da igreja, a casa de Conceição Inácio também foi invadida pela água da chuva. “Meu marido está internado e não tenho condições de limpar a casa sozinha”, disse a moradora, que contou com a ajuda dos vizinhos. Em uma casa localizada na rua Euclides Ribeiro, também nas imediações da igreja, a moradora Ana Cláudia Ribeiro assustou quando percebeu que a enxurrada havia derrubado parte da parede de sua cozinha.
“Ouvi um barulho e vi quando a parede começou a desabar. Saí em seguida para chamar os vizinhos”, conta. Ontem de manhã, ela resolveu demolir a parede, para evitar acidentes.
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Lugar inadequado
O coordenador da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil em Bauru, Álvaro José de Brito, esteve no Parque Real na manhã de ontem e conversou com os moradores. Afirmou que funcionários da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) ajudariam na limpeza dos imóveis.
De acordo com Brito, as casas ficam em loteamento regular, mas que na sua opinião ‘não deveria existir’ porque localiza-se em uma erosão, abaixo de um morro. “O bairro fica dentro de um buraco, com apenas uma entrada e saída. Não tem grandes investimentos em galerias (de água). Esse tipo de bairro é um problema”, afirma.
Sobre os bueiros, ele disse que a limpeza é feita periodicamente pelos funcionários da Sear, mas evidenciou a necessidade dos moradores colaborarem. “Os moradores não podem mais jogar lixo dentro dos bueiros. Eles mesmos admitem isso. Não há sistema de combate à enchente que resista ao lixo”, diz.