Lençóis Paulista - O sequëstro ocorrido na cidade de Lençóis Paulista na última terça-feira foge da normalidade e põe a polícia a investigar várias hipóteses. Uma delas sustenta que o alvo era dinheiro, porém, não o valor do resgate e sim os R$ 18 milhões bloqueados pela Justiça em nome de Osvaldo Estrella, responsável pelo “banco” Estrella.
Inicialmente, trabalhou-se com a possibilidade de o crime ser caracterizado como "exercício arbitrário das próprias razões", por não haver pedido de resgate. Depois, passou-se à possibilidae de sequestro.
Se não houvesse o pedido de resgate, o caso configuraria o crime inicial e poderia levar a polícia a investigar uma imensa lista de credores, além do próprio filho da vítima, que é genro de Osvaldo Estrella e que durante muito tempo assumiu o papel de negociador da dívida após o fechamento do “banco” Estrella, em 2004.
Roberto César Médola (Téo), segundo se comenta na cidade, estaria morando em local incerto e não sabido, junto com os sogros, e impossibilitado de voltar a Lençóis Paulista até que o caso do “banco” seja resolvido pela Justiça.
O indício inicial de que o caso era de ‘cobrança de dívida’ veio logo no primeiro contato feito pelos seqüestradores com a família. Uma voz masculina teria dito: “Avisa o teu filho para ele falar para o Estrella que vamos querer receber o que é nosso. Anota um código que ele vai saber quem é”. A mulher do seqüestrado teria entrado em estado de choque e não conseguido anotar.
Outras hipóteses circulam por Lençóis Paulista. Uma delas é que o seqüestro tenha sido planejado por algum dos credores que tentam localizar Osvaldo Estrella e, sabendo que Téo mora junto, seqüestrou seu pai para que ele fosse obrigado a retornar à cidade. Por isso exigiam negociar com o filho da vítima.
Caminho de seqüestro
O crime passou a ser seqüestro a partir de um contato dos marginais com a família, pedindo R$ 1,5 milhão. Corre, também extra-oficialmente, que em um dos contatos os seqüestradores teriam concordado trocar o pai pelo filho.
A polícia já havia entrado no caso com equipamentos rastreadores que identificavam de onde estavam partindo as chamadas e provavelmente chegaria ao cativeiro. Assim, o (s) mentor (es) resolveu (ram) libertar a vítima, que, embora algemada, foi deixada em uma estrada de Águas de Santa Bárbara, totalmente ilesa.
Alguns fatos ocorridos durante a execução do crime levantam suspeitas. A vítima foi retirada de seu sítio por quatro seqüestradores que não estavam com pressa. Saíram a pé, até onde a visão das testemunhas alcançavam.
Os marginais praticaram roubo contra as duas pessoas que faziam uma cerca na propriedade, subtraindo carteira, cigarros, isqueiros e relógios, objetos pequenos e sem valor, situação inusitada durante um crime de tamanha proporção como o seqüestro.
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Marcas de dor
Além das marcas emocionais e psicológica que um seqüestro pode acarretar em sua vítima, Dimas Médola também trouxe do cativeiro as deixadas pelas algemas. “Fiquei encapuzado e algemado o tempo todo. Não vi nem ouvi vozes que pudesse identificar”, disse o aposentado, que ficou pouco mais de 24 horas em poder dos seqüestradores.
Ele foi libertado na noite de quarta-feira, mas só chegou a Lençóis Paulista às 2h15 de ontem. “Estou muito feliz. Não sei quem mandou fazer isso. Acho que fui seqüestrado por engano, por isso eles me libertaram”.
Médola descartou a hipótese de envolvimento do banco Estrella. “Eles não comentaram nada. Eles diziam apenas para eu ficar tranqüilo e que eu sairia com vida. Fui bem tratado. Fiquei no cativeiro com refeições e água”. Sobre deixar a cidade, a vítima disse que iria estudar a alternativa junto a sua família.
A família do seqüestrado, através de uma das filhas, disse ontem que eles não vão se manifestar, por questões de segurança. “Fomos orientados a não falar sobre o assunto.”
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Cativeiro
A equipe de Anti-Seqüestro do Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-4) trabalha no ‘rescaldo’ do crime. Ontem, os investigadores e delegados voltaram ao cativeiro para observar detalhes junto com a Polícia Técnica.
De acordo com a coordenadora da equipe, delegada Cláudia Garmes Armani, as investigações prosseguem, mas até ontem não havia nada de concreto sobre o crime. A polícia não descarta nenhuma hipótese. Uma equipe ficou na cidade fazendo levantamentos.