Internacional

Cerimônia pacífica marca maior protesto contra charges

Folhapress
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Beirute - Centenas de milhares de muçulmanos xiitas transformaram ontem uma cerimônia religiosa no Líbano no maior protesto até então contra a publicação de charges do profeta Maomé. Mas, diferentemente do que vinha ocorrendo nos últimos dias - pelo menos 13 pessoas já morreram em tumultos desde a eclosão dos protestos, no fim de janeiro -, a manifestação foi pacífica. “Estamos a seu serviço, Maomé, profeta de Deus”, entoaram mais de 400 mil pessoas em Beirute durante a Ashura.

O protesto foi convocado pelo Hizbollah. O líder espiritual do grupo extremista, o xeque Sayyed Hassan Nasrallah, pediu aos fiéis que tomassem posição na polêmica iniciada pela publicação, em setembro, de charges do profeta no jornal dinamarquês “Jyllands-Posten”.

“Hoje (ontem) estamos defendendo a dignidade do nosso profeta com palavras. Mas que o (presidente dos EUA) George W. Bush e o mundo arrogante saibam que, se for preciso, defenderemos nosso profeta com nosso sangue”, disse Nasrallah. “Condoleezza Rice, Bush e todos os tiranos que calem a boca”, disse, aludindo à acusação da secretária de Estado dos EUA de que os governos da Síria e do Irã estão insuflando os protestos e manipulando-os segundo seus propósitos políticos - algo negado ontem por Teerã (leia mais abaixo).

Os fiéis responderam com frases como “morte à América” e “morte a Israel” e com faixas como “o que vem depois do insulto a valores sagrados?”. Nasrallah jurou não ceder até que a Dinamarca peça desculpas. O governo do país afirma que não pode se retratar por desenhos que um jornal publicou sob a vigência da liberdade de imprensa. Já o “Jyllands-Posten” pediu desculpas publicamente. Copenhague recomendou que seus cidadãos evitassem o Líbano, onde a embaixada do país foi queimada no fim de semana. Também removeu 40 funcionários de seu corpo diplomático de países islâmicos e recomendou que dinamarqueses que atuam como assistentes humanitários não trabalhassem na Ashura.

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Como tudo começou

Beirute - A controvérsia em torno das charges sobre Maomé começou em setembro, quando o jornal dinamarquês “Jyllands-Posten” pediu a 12 cartunistas que desenhassem o profeta do islã. O editor de cultura do jornal, Flemming Rose, disse que o propósito era apurar se o mundo das artes se autocensurava por temer exaltar radicais islâmicos.

Citou a remoção de possíveis trabalhos ofensivos aos muçulmanos de museus em Londres e na Suécia, o temor revelado por um comediante quanto a piadas sobre o Alcorão (embora ele se sentisse à vontade ao satirizar a Bíblia) e a dificuldade do autor de um livro infantil em seu país de achar um ilustrador para Maomé - para evitar idolatria, o islã proíbe retratar o profeta. A maioria das charges é sóbria. Algumas, no entanto, ligam a imagem do profeta ao terror.

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