O pacote de incentivo à construção civil do governo federal, lançado no início da semana, está criando expectativas em Bauru. Quem está construindo ou reformando ou ainda pretende iniciar uma obra esperar ver se a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 41 itens da construção civil vai realmente chegar ao consumidor final.
Os efeitos da medida ainda não começaram a chegar aos consumidores, porém já é motivo de mudanças de planos. É o caso do representante comercial Fernando Mastrangelli, que vai atrasar a ampliação da edícula de sua casa em razão do pacote do governo. “Eu ia começar a mexer na construção, mas, pensando bem, acho que posso conseguir uma boa economia aproveitando o preço baixo dos materiais. Como não estou com pressa, vou esperar os preços baixarem”, comenta.
Mastrangeli acredita que poderá obter uma economia de até R$ 2 mil dentro do orçamento de R$ 15 mil que estima desembolsar. Se as medidas de incentivo à construção civil tivessem sido divulgadas há cerca de algumas semanas, o atendente jurídico Danilo de Oliveira Massari também teria optado por frear a reforma de seu apartamento.
Ele conta que, embora tenha gastado muita sola de sapato em busca de bom preço, a economia foi, praticamente, irrisória. “Se eu tivesse ficado sabendo antes, com certeza teria esperado para começar a reforma. Embora eu tenha visitado muitas lojas de construção, a diferença de preço que encontrei foi muito pequena”, completa.
O pacote governista pode gerar, pelo menos momentaneamente, uma queda nas vendas das lojas de materiais de construção, já que a exemplo de Mastrangeli, muitas pessoas podem resolver aguardar a queda dos preços. O proprietário de uma casa especializada em produtos de construção em Bauru, Édson Vaz, acredita que o consumo pode esfriar à medida que as pessoas tomarem conhecimento do chamado incentivo federal. “Acho que isso pode ocorrer porque as mudanças devem acontecer apenas dentro de um mês”.
Segundo ele, por ora, o consumo em seu estabelecimento continua normal. A procura, inclusive por materiais de construção básicos, como esquadrilhas metálicas, louças sanitárias, areia, tijolo e ferro, ainda é estável.
O gerente comercial de outra loja de material de construção de Bauru, Júlio Gimenez, ao contrário de Vaz, acha que as vendas não devem ser abaladas. Para ele, ninguém vai deixar de construir até os reflexos do pacote chegarem às casas especializadas.
“Acredito que o consumidor não pare de comprar, principalmente porque o benefício ainda deva demorar uns dois meses para nos atingir. No entanto, o pacote significa um fôlego que as empresas estavam precisando”, observa.
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Pesos e medidas
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) em Bauru, Ralph Ribeiro Júnior, pensa que o pacote pode não garantir mais dinheiro e menos imposto ao setor, como foi apresentado pelo governo. Ele considera que a medida pode ser benéfica se todas as promessas, como o aumento de recursos para o financiamento das construções e a redução e isenção de IPI de 28 produtos de construção, forem, de fato, cumpridas.
O tempo e a forma pela qual os benefícios chegarão à população são o grande questionamento de Ribeiro Júnior.
“Precisamos ver se, realmente, esse repasse vai chegar aqui na ponta. E, se isso ocorrer, em que prazo vai chegar. Quanto aos empréstimos, os prazos de pagamento têm de ser mais dilatados e os juros, menores, conforme o prometido”, destaca.
Em relação ao montante de R$ 1 milhão liberado à urbanização de favelas, o presidente do Sinduscon faz outra ressalva.
“Esse estímulo deve ser aproveitado para a erradicação do déficit habitacional, e não para perenizar a informalidade e nem a favelização. Esse pacote está aquém do que nós esperávamos e muito mais aquém do que nós desejávamos. Mas, de qualquer maneira, é uma medida que vem ao encontro, embora em pequena monta, de alguns tópicos que a gente sempre lutou”.