Ouidah - Demonstrando impaciência com as acusações da oposição de que só age eleitoralmente, e das perguntas da imprensa sobre quando vai anunciar sua candidatura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem no Benin que o deixem governar o país. “Você não pode colocar o projeto de vida de uma nação em função de uma eleição, a eleição é que tem de estar subordinada a esse projeto. Só queria pedir o seguinte: para as pessoas deixarem a gente governar o Brasil”, disse.
Lula também comemorou a queda do risco-país, índice que aponta o risco de investimento no País e que, fechou ontem em 226 pontos, menor nível da história. O presidente falou num crescimento de 20 anos e disse não acreditar que “quem quer que venha a governar o Brasil nos próximos dez anos venha a fazer qualquer loucura com a economia”.
Ao comentar possíveis turbulências na economia em ano eleitoral - que não acredita que vá haver-, a palavra repetida várias vezes por Lula foi “seriedade”. “Acho que o processo eleitoral não vai mexer com isso e não haverá nada, nem uma nem duas nem três nem quatro eleições que me farão mudar o que a gente vem fazendo na economia brasileira e a seriedade com que estamos governando o Brasil. Nada”, disse o presidente.
“Vamos fazer aquilo que nós temos consciência de que é necessário fazer, sem criar nenhum prejuízo para os que virão depois de nós.” FHC Depois de quase uma semana da ofensiva midiática do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) contra seu governo e o PT, Lula falou pela primeira vez sobre o tema, mas só para desdenhar as críticas do antecessor. “Primeiro, não sou obrigado a ler tudo o que determinadas pessoas falam. Segundo, acho que é um problema que o PT saberá cuidar”, afirmou o presidente.
Pela manhã, Lula se encontrou com o presidente do Benin, em Cotonou. À tarde foi a Ouidah, vilarejo a 40 quilômetros, de onde os escravos partiam da África em direção à América. “Não governo para político” Lula voltou a dizer que não tem “nenhuma pressa” para anunciar se vai concorrer à reeleição e repetiu uma metáfora que vem usando nos últimos meses. “Quando você planta, a semente está debaixo da terra. Depois, quando cresce e você começa a colher os frutos, isso começa a incomodar as pessoas que não queriam que o Brasil desse certo. Acontece que não estamos governando para os políticos, estamos governando para o povo brasileiro”, disse.
Apesar de já ter deslizado em várias ocasiões no tema reeleição, Lula chegou a dizer ontem que não discutiu com ninguém sobre sua eventual candidatura -mesmo depois de já ter recebido no Palácio do Planalto líderes de partidos para tratar de eventuais alianças. “Não discuti isso ainda com ninguém”, respondeu, ao ser questionado se o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, iria chefiar sua eventual campanha à reeleição.
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Ritual de vodu
Ouidah - Com o Portal do Não Retorno ao fundo, no vilarejo praiano de Ouidah, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou ontem uma ajuda contra a “urucubaca” que diz atrapalhar o seu governo. Esteve num ritual de vodu e afirmou que ficou “mais leve”. “Vocês participaram junto comigo, vocês viram que... até vocês estão mais leves”, afirmou.
Segundo o dicionário “Aurélio”, o vodu é um “culto de origem jeje-daomeana, praticado nas Antilhas, principalmente no Haiti, e que combina elementos de possessão e magia com influências cristãs, apresentando semelhanças com o candomblé afro-brasileiro”. Em Benin, cerca de 60% da população é adepta do culto.
Ouidah é a principal cidade do Benin -de onde os escravos partiam principalmente para o Brasil. O Portal do Não Retorno é um monumento construído em 1995 para lembrar o que sentiam os que eram enviados para longe. Logo em seguida, Lula assistiu ao ritual de vodu. Na cerimônia, homens ficam sob uma espécie de cabana de palha e dançam.
Segundo uma moradora explicou ao presidente, por meio de uma intérprete, os espíritos podem se transformar em qualquer coisa para se proteger. Lula ficou interessado. E brincou se podia “abrir para ver o que tem dentro” das cabanas, provocando risadas.