São Paulo - O anúncio do Tesouro Nacional de que o governo brasileiro vai recomprar até US$ 20 bilhões da dívida externa faz o risco-país cair mais de 13% nesta manhã. Durante a tarde, no entanto, o risco diminuiu o ritmo de queda, Mesmo assim, fechou o dia com uma queda de 11,72% e 226 pontos - menor nível da história do índice, calculado desde 1994 pelo JP Morgan.
O risco-país funciona como um indicador da confiança do mercado financeiro na capacidade de um país pagar sua dívida. Quanto mais alto o risco, maiores são os juros cobrados pelos investidores para comprar títulos desse país.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou anteontem que o objetivo principal com a recompra é tirar de circulação os títulos com vencimento até 2010 e os bradies - que foram emitidos pelo Brasil para refinanciar os contratos rompidos pelo País na moratória pedida ainda nos anos 80.
Na prática, essa operação permite o alongamento do prazo médio de vencimento da dívida externa e a redução do estoque. Segundo o secretário, não há uma meta de compra para esse programa. “Nós vamos trabalhar com as condições de mercado”, disse o secretário.
Levy afirmou que o resgate antecipado faz parte de um programa mais amplo do governo para aproveitar o forte ingresso de dólares registrado recentemente para melhorar o perfil do endividamento público.
Proteção
“Estamos usando os dólares que estão entrando no Brasil, que o Banco Central comprou, para resgatar uma parte da nossa dívida externa”, disse o secretário. João Marcus Marinho Nunes, economista-chefe da Ágora Senior, avalia que ao reduzir a sua dívida externa, o Brasil fica “menos suscetível a possíveis crises internacionais”.
“Com essa iniciativa, o Tesouro Nacional está aliviando ainda mais qualquer risco de contaminação de uma crise externa”, afirmou.