Internacional

Charges: chanceler fala em manipulação

Folhapress
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Amã - O ministro jordaniano das Relações Exteriores, Abdel Ila al Khatib, disse em entrevista ao jornal espanhol “El País” que, no mundo islâmico, “alguns partidos e alguns países tentam tirar proveito” da indignação despertada pela publicação de caricaturas do profeta Maomé.

Al Khatib não identificou o alvo de suas acusações. Abordou o assunto ao ser indagado se, a seu ver, o governo do Irã não está orquestrando as manifestações de rua contra países europeus.

Em Copenhague, Flemming Rose, editor de cultura do jornal “Jyllands-Posten” e responsável pela publicação em setembro das charges sobre o profeta, foi convencido a “sair de férias”. O argumento do jornal é o de que o jornalista estava estressado em razão das pressões que vinha sofrendo.

Atos prosseguem

Os protestos contra a publicação das charges de Maomé em jornais europeus prosseguiram ontem em diversos países islâmicos. Na Cidade de Gaza, cerca de 7 mil palestinos foram às ruas nesta sexta-feira para protestar. Alguns dos manifestantes atiravam para o alto e queimavam bandeiras da Dinamarca - primeiro país a publicar as caricaturas.

Em Jerusalém, cerca de 2 mil pessoas foram às ruas e marcharam até a mesquita de Al Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, queimando uma bandeira dinamarquesa. Em Hebron, centenas de pessoas exigiam um pedido de desculpas da Dinamarca para o mundo islâmico. “Maomé é nosso herói, nosso líder!”, gritavam os manifestantes.

No Afeganistão, três pessoas foram feridas por policiais em Herat. A polícia atirou para o alto para dispersar os manifestantes, mas parte do grupo tentou invadir o escritório do governador. Ao menos dez pessoas morreram em violentos confrontos entre manifestantes e policiais no país. Ontem, outras cinco pessoas morreram em confrontos entre sunitas e xiitas em Herat.

No Paquistão, 31 pessoas - em sua maioria xiitas- morreram em um ataque suicida contra uma procissão xiita nesta quinta-feira. Também no Paquistão, um protesto de 5 mil pessoas, ontem, em Islamabad degenerou em confronto com a polícia depois de atos de vandalismo contra edifícios comerciais.

Milhares de manifestantes foram às ruas na Caxemira indiana. Em Srinagar, Capital do Estado indiano de Jammu-Kashmir, o maior protesto aconteceu do lado de fora da maior mesquita da Caxemira.

Em Bangladesh, mais de 5 mil muçulmanos protestaram na Capital Dacca e queimaram ao menos quatro bandeiras da Dinamarca do lado de fora da mesquita de Baitul Mukarram. Policiais detiveram os manifestantes quando eles tentaram se dirigir à Embaixada da Dinamarca.

No Quênia, 2.500 muçulmanos protestaram contra as charges, marchando da maior mesquita da Capital Nairóbi até o prédio do Ministério das Relações Exteriores, onde pretendiam entregar uma nota de protesto. No Sri Lanka, milhares de manifestantes, usando bandanas pretas na cabeça queimaram várias bandeiras da Dinamarca perto da mesquita de Colombo.

Os desenhos foram publicados pela primeira vez em 30 de setembro no jornal “Jyllands Posten”. Posteriormente, foram reproduzidos em jornais da África do Sul, Alemanha, Austrália, Bulgária, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Fiji, Holanda, Hungria, Iêmen, Itália, Japão, Jordânia, Malásia, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Suíça e Ucrânia. A publicação causou violentos protestos em vários países muçulmanos, como no Afeganistão, em Bangladesh, no Egito, na Índia, na Indonésia, em Gaza, no Paquistão e na Turquia.

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