Washington - O governo de George W. Bush afirmou, em 30 de agosto de 2005 - dia da passagem do furacão Katrina pelo Sul dos EUA - que foi “pego de surpresa” pelo rompimento de uma barreira em Nova Orleans, que deixou a cidade debaixo d’água. No entanto, segundo uma reportagem do jornal americano “The New York Times”, uma investigação do Congresso aponta que a inundação foi constatada por um funcionário da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) e transmitida ao Departamento de Segurança Doméstica na noite do dia anterior.
De acordo com o “Times”, o funcionário da FEMA Marty Bahamonde foi informado do rompimento de uma das barreiras da cidade no final da tarde do dia 29. Ele seguiu em um helicóptero da Guarda Costeira para a região da barreira para checar a extensão da inundação. De acordo com o jornal, em seguida, Bahamonde telefonou para a sede da FEMA em Washington, que notificou o Departamento de Segurança Doméstica.
Segundo Michael Brown - que era diretor da FEMA até renunciar, em 12 de setembro - afirmou ontem que avisou a Casa Branca sobre a inundação na mesma noite.
Autoridades da Casa Branca assumiram aos investigadores do Congresso que a informação foi recebida à meia-noite do dia 29. No entanto, na manhã seguinte, o governo não tomou nenhuma ação. O presidente George W. Bush, de férias no Texas, disse estar “aliviado” com o fato de Nova Orleans ter “superado” a passagem do Katrina. Com a falta de energia elétrica e os movimentos limitados, os moradores de Nova Orleans não obtiveram informações sobre a extensão do rompimento da barreira até o dia seguinte.
As conclusões são resultado de uma investigação de dois comitês do Senado, que analisaram 800 mil páginas de documentos e entrevistas com mais de 250 testemunhas. Ontem, Brown deveria testemunhar ao Comitê de Segurança Doméstica do Senado. Ele deveria confirmar que alertou a Casa Branca no dia 29, quando o Katrina atingiu Nova Orleans, que uma das barreiras da cidade haviam sido derrubadas e que a inundação da cidade era gigantesca. “Não tenho dúvidas de que a Casa Branca compreendeu a gravidade da situação”, afirmou Brown.