Rio de Janeiro - O ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, negou ontem à Polícia Federal (PF) a autenticidade da lista de Furnas, um relatório de supostas doações políticas por meio de caixa dois para 156 políticos de 12 partidos (PDT, PFL, PL, PMDB, PP, PPS, Prona, PRTB, PSB, PSC, PSDB e PTB). Dimas prestou depoimento durante cinco horas na sede da Superintendência da PF no Rio de Janeiro e saiu sem falar com a imprensa.
Segundo seu advogado, Rogério Marcolini, o ex-diretor respondeu a todas as perguntas feitas pelos delegados Pedro Ribeiro e Praxíteles Praxedes. “Ele nega categoricamente qualquer divisão de caixa dois de Furnas ou qualquer doação de recursos para qualquer que seja”, disse Marcolini. Sobre a lista, o advogado afirmou: “o documento é uma fraude, é uma montagem”.
A lista é um documento de autenticidade não-comprovada com doações para 156 políticos de 12 partidos por meio de caixa dois com origem na estatal e relativa à campanha de 2002. Trata-se de um conjunto de cinco folhas de papel sem autenticação, repassada à PF pelo lobista Nilton Monteiro, que afirma ter recebido por intermédio de Dimas, que negou em outras ocasiões a autoria da lista.
Segundo a Polícia Federal, Dimas foi ouvido no inquérito de Furnas, que apura irregularidades de caixa dois apontado pelo ex-deputado Roberto Jefferson. O parlamentar cassado confirmou que recebeu R$ 75 mil. Ele foi o único político citado na lista, até agora, a atestar alguma das informações registradas no documento.
A polícia avaliou que o depoimento foi contraditório em relação às declarações de Jefferson e de um tabelião e um escrivão que prestaram depoimento anteontem. No depoimento, os dois confirmaram que a lista é verdadeira porque autenticaram com o documento original.
Cópia
O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), solicitou ontem à Polícia Federal uma cópia do depoimento prestado ontem pelo ex-diretor de Furnas Dimas Toledo. O ex-diretor de Furnas deve prestar depoimento à comissão na próxima quarta-feira e a expectativa dos oposicionistas, listados no documento, é de que a negativa seja reforçada à CPI. No depoimento, que durou aproximadamente cinco horas, Dimas negou ainda que tenha pago R$ 75 mil para o ex-deputado Roberto Jefferson em 2002.
O ex-parlamentar, ao contrário, confirmou a informação que consta da lista em depoimento prestado à Polícia Federal de Brasília. Nilton Monteiro O relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), recebeu ontem o depoimento prestado ao Ministério Público de Minas Gerais pelo lobista mineiro Nilton Monteiro, que diz ter provas da autenticidade da lista.
Os petistas insistem para que Nilton Monteiro deponha à CPI antes de Dimas. O assunto ainda está em análise pela cúpula da comissão e deve ser definido na próxima semana.
Thomas Bastos
Delcídio Amaral refutou ontem a possibilidade de o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, comparecer à comissão para explicar a investigação da Polícia Federal sobre a lista com nomes de políticos que teriam recebido recursos de caixa dois de Furnas para a campanha de 2002.
Anteontem, a oposição ameaçava votar o requerimento de convocação do ministro. Queriam dele uma declaração oficial sobre a veracidade da suposta lista. Para isso, a oposição recrutou parlamentares que pouco comparecem às sessões da CPI. Os líderes do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e da Câmara, Alberto Goldman (SP), e o líder do PFL, senador José Agripino (PFL-RN), orquestraram o discurso em favor da convocação.
Os governistas levaram o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), e o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), na tentativa de dirimir as intenções dos oposicionistas ou barrar a votação. Os petistas, em especial a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e os deputados Maurício Rands (PT-PE) e Carlos Abicalil (PT-MT), davam o troco ao defender a convocação de Nilton Monteiro, que promete complicar a vida dos políticos que constam da lista, inclusive integrantes da CPI.
Depois de uma hora e meia de discussão, os integrantes da comissão desistiram de votar os requerimentos mais polêmicos, dentre eles o do ministro da Justiça. Delcídio disse que é preciso ter cautela com o surgimento desse tipo de lista sem que seja constatada a sua veracidade.
“Porque daqui a pouco qualquer pessoa faz uma lista que envolve muitas pessoas e essa lista começa a ser verdade. Acho especialmente importante o posicionamento da Polícia Federal, que é responsável por essa investigação, para dizer se esta lista é verdadeira ou não”, afirmou o senador.