Para o psicólogo Fernando Manuel Almeida Fernandes o ser humano é a espécie mais bem sucedida do mundo. “Nós conseguimos conter a destruição entre seres da mesma espécie. Temos recursos que faz com que a nossa espécie se propague ainda mais. Tudo que contraria esse movimento, vai gerar uma conseqüência negativa.”
A ação de matar, na opinião dele, sempre gera uma conseqüência, seja ela positiva ou negativa. “A pessoa que mata pode ter uma reação positiva, quando em função do ato, consegue se tornar mais humano.”
A reação também pode ser negativa. “Quando a pessoa que mata não consegue mais segurar o instinto destrutivo”. Ele frisa que cada ser humano reage de uma maneira, por isso é difícil generalizar.
O contexto no qual a pessoa mata também tem que ser considerado, segundo o psicólogo. “Se a pessoa não planeja matar é uma situação. Se ela fica pensando e programa matar o outro, a situação é mais grave e pode representar uma patologia.”
Ele ressalta que falar em patologia é até perigoso. “Porque, se não, toda pessoa que assassinar alguém vai querer alegar problema mental, vai querer se livrar da responsabilidade sobre o ato que cometeu.”
O psicólogo alerta que a vida humana está ficando em segundo plano. “Tem gente que assiste filmes de mortes e nem chora mais. Que fala que fulano tomou cinco tiros na cara, como se fosse tomar um chopp. Eu percebo que muitas vezes a gente fica mais indignado com o roubo do que com a morte. É o capital sobrepondo a vida.”
Frieza é cortina de fumaça
Para o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Silberto Sevilha Martins, a morte sempre abala o policial, especialmente quando tomba um companheiro em combate. “A profissão exige que encaremos mais friamente, mas é apenas uma cortina de fumaça. Temos que dosar o sentimento para poder cumprir a obrigação”, descreve.
Para ele, a frieza aparente é apenas uma forma de encarar a situação e prosseguir. “Toda morte emociona. Quando vamos atender a um caso, mesmo sem conhecer e vemos a família chorando, não há como não se emocionar.”
Para o delegado, a morte de crianças e de idosos sempre são as mais difíceis de serem encaradas. Martins lembra que a experiência e a mudança de filosofia faz com que o policial se previna mais. “Antigamente, eles iam para o confronto sem se preocupar com os equipamentos de proteção. Hoje, a figura do policial valentão desapareceu. Ele tem que agir com cautela e surpreender ao invés de ser surpreendido.”