Política

Para Mercadante, falta planejamento

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

O senador e pré-candidato ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante (PT) afirmou que o problema do novo aeroporto, em construção na divisa de Bauru com Arealva, não se limita a quem deve administrar. Ele afirmou que o aeroporto não tem um projeto específico, motivo pelo qual ainda não se definiu qual sua vocação. “Não é só construir o aeroporto, tem que ter um projeto, de aeroporto-indústria, de captação de investimentos, de porto seco”, disse.

Na opinião do senador, falta iniciativa ao governo estadual para elaborar os projetos necessários. Mercadante salientou que antes de se pensar em administrar o aeroporto, é necessário pensar em políticas de desenvolvimento regional, para atrair investimentos e, conseqüentemente, indústrias para a região. “Precisa atrair indústrias que necessitam de aeroportos de carga para fazer ‘just in time’ (no tempo exato), por exemplo, setor eletroeletrônico, que precisa importar e exportar com muita agilidade”, frisou.

O senador argumentou ainda que, sem essa política de desenvolvimento regional e investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), por falta de articulação do governo do estado, e sem a criação da estrutura de “porto seco”, faz com que o aeroporto seja apenas uma pista, com pouca finalidade, além de não atrair novas empresas aéreas para operar na região. “Nós só temos a Pantanal voando para cá, em quatro vôos diários. Isso não resolve o problema da região”, ressaltou.

Aeroporto-indústria

Para o senador Aloizio Mercadante, o projeto de aeroporto-indústria poderia ser uma das saídas mais viáveis para o novo aeroporto de Bauru. Com o impasse na construção da segunda pista do aeroporto de Viracopos, em Campinas, Bauru seria alternativa a empresas que precisam escoar seus produtos com agilidade. “A região de Bauru tem a maior estrutura de transporte do Estado, com a hidrovia e as estradas, e pode ficar ainda melhor com a recuperação das ferrovias e o novo aeroporto”, disse.

O projeto aeroporto-indústria, regulamentado pela Receita Federal, prevê a instalação de empresas voltadas para a exportação em aeroportos, com as vantagens de reduzir o tempo na logística de exportação de mercadorias e, principalmente, isenção de impostos federais.

Atualmente há quatro projetos de instalação de aeroporto-indústria em todo o País. Além do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, podem receber indústrias os aeroportos de São José dos Campos, em São Paulo, Petrolina, em Pernambuco, e Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

O que é “just in time”

Fabricar e entregar produto apenas a tempo de ser vendido, submontá-los apenas a tempo de montá-los nos produtos acabados, para fazer peças a tempo de entrar nas submontagens e, finalmente adquirir materiais apenas a tempo de serem transformados em peças fabricadas. Este é o conceito de “just in time”, sistema que teve origem no Japão, logo após a crise do petróleo em 1973, quando os japoneses perceberam a necessidade de ordenar a administração de seus recursos, para enfrentar os elevados custos de materiais e fontes energéticas, derivadas do petróleo.

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