Quem conhece há pouco tempo o tranquilo administrador de empresas Roger Guedes não pode nem imaginar o que ele já conquistou pelo esporte. Ex-tenista profissional, Roger Guedes disputou, na chave principal, grandes torneios do circuito da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), como Roland Garros, Wimbledon, Us Open, Aberto da Itália, Cincinatti, Boston, Miami, Barcelona, Madri, Palermo, entre outros.
O bauruense, de 52 anos de idade, começou a jogar tênis aos sete e nunca mais parou. Aprendeu a dar as primeiras raquetadas com o professor Cláudio Sacomandi, no Bauru Tênis Clube. Roger lembra que na época não tinha intenção nenhuma de tornar-se profissional, mas as circunstâncias foram levando-o para isso.
“Eu comecei a jogar porque meu pai jogava e eu não tinha nada para fazer”, conta Roger Guedes, que disputou seu primeiro Campeonato Brasileiro aos 12 anos. A partir daí começou a brilhante carreira de tenista profissional. Aos 15 foi vice-campeão brasileiro, com 17 foi campeão juvenil do Banana Bowl e com 18 recebeu uma proposta de bolsa de estudos da Hampton University, no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos.
Assim que chegou na terra do Tio Sam, Roger foi convocado para disputar o torneio estadual da Virgínia, representando a Universidade em que estudava. Roger não hesitou e foi o campeão do torneio, surpreendendo a todos. Depois disso, seu treinador americano entusiasmou-se e colocou o bauruense nos principais torneios da categoria.
“Lá nos Estados Unidos, quando você é estudante, você é obrigatoriamente amador, então, não pode receber prêmios em dinheiro. Entrava no ranking mundial, mas não ganhava dinheiro, pois já estava recebendo a bolsa”, explica Roger.
Durante esse período, o bauruense conquistou por três anos consecutivos o título de campeão do Estado da Virgínia e, em 1976, ainda na Univesidade, foi campeão nacional, sendo a primeira vez que a Universidade ganhou este título. Formou-se em 1977, em Business Managerment, o que no Brasil representa ser diretor de empresa. Segundo Roger, o torneio que mais lhe marcou foi o Roland Garros, em 1979, quando chegou até a terceira rodada no simples e na duplas ao lado do amigo e também bauruense Celso Sacomandi. Neste ano, Roger chegou a ficar entre os 80 melhores tenistas do mundo, pelo ranking da ATP.
Para Roger, seu maior desafio foi contra o holandês Tom Okker, em Wimbledon. Na época, Okker era o número seis do mundo. “Ele tinha um jeito de jogar que não encaixava com o meu. Com meu estilo de jogo e o estilo de jogo dele, eu saía em desvantagem na maioria das vezes. Okker é um dos tenistas mais difíceis com quem já joguei.”
Em 1999, Roger foi vice-campeão mundial em Amsterdam, na Holanda, jogando a final contra o australiano Andrew Era.
Atualmente, Roger continua competindo e nunca deixou de colecionar títulos. Em 2003 foi campeão europeu em Baden-Baden, na Alemanha. Em 2004 recebeu o convite do Club Internacional de Tênis para participar de um torneio por equipes em Roland Garros, Paris, onde ficou em segundo lugar entre os 22 países participantes, sendo derrotado na finalíssima. No ano passado, Roger foi campeão brasileiro pelo terceiro ano consecutivo.
Questionado sobre qual torneio gostaria de ganhar hoje, Roger é categórico: “Roland Garros, é claro. Aqui na América do Sul estamos acostumados a jogar sempre em saibro. Por isso Rolando Garros é sempre o nosso preferido. Mas Wimbledon é outro torneio muito bom para jogar. Hoje existe tênis feito especialmente para tenistas que jogam na grama. Muito diferente da minha época, que não existia tecnologia nenhuma.”
Roger faz questão de frisar que se estivesse começando hoje, repetiria tudo o que fez anteriormente. “Eu faria tudo de novo. Inclusive recomendo para quem está começando que treine muito e, se um dia tiver a oportunidade de ir para os Estados Unidos aperfeiçoar o tênis, vá sem pensar duas vezes. Lá o incentivo para o esporte é muito maior.”
Atualmente, Roger é treinador de alguns tenistas de Bauru. Ele faz um trabalho de aperfeiçoamento dos atletas que visam campeonatos de alto nível e que querem melhorar a performance. Trabalha no ramo da construção civil, participa de alguns torneios nas horas de folga, mas passa a maior parte do tempo em sua quadra particular ensinando o que sabe para seus atletas.
O JC começa hoje uma série de matérias, que vai se estender pelas próximas semanas, sobre o tênis bauruense.