Duda Mendonça fez a ponte. O lulismo aproximou-se do malufismo não somente pelo uso dos mesmos recursos de marketing, mas pela apropriação aética de verbas e bens públicos para satisfação de interesses pessoais e partidários. Pode-se até dizer tendo em mira a perda do bonde da história do crescimento econômico vivido por outros países do mundo, China e Índia, em especial, que o PT conseguiu piorar o malufismo: trocou o “rouba mas faz” pelo “rouba e não faz”. A falência dos programas sociais também atesta essa assertiva. O engodo do programa “Fome Zero”, a ineficácia e a corrupção geradas pelo “Primeiro Emprego” e pelo “Banco Popular” são marcas de um governo que se jacta por tapar buracos em estradas cujo estado de abandono altamente contrastante com as rodovias paulistas é marca indelével de sua incompetência.
A corrupção, não mais esporádica e localizada, mas transformada em estratégia de atuação e perenização do lulismo, serve para acobertar da sociedade o despreparo e a incompetência do governo do PT para enfrentar os desafios de um país complexo como o Brasil.
O agronegócio, um dos pilares do desenvolvimento nacional, por exemplo, apresentou queda de aproximadas seis milhões de toneladas de grãos no ano de 2005 (5%). Para os que justificam essa queda pelos fatores climáticos cumpre lembrar que em 2004 com clima favorável e preços internacionais em alta a queda foi de 3%. Tivemos o retorno da febre aftosa e o cancelamento das compras de nossa carne por mais de 50 países. A auto-suficiência em petróleo só não ocorreu em 2005 porque as trapalhadas do PT com relação à aquisição de plataformas submarinas fez a nossa produção cair em 2004 em 3% após décadas de seu constante incremento.
Não se pense, porém, que será tarefa simples desencastelá-los do poder. O petismo dispõe de enorme inserção nos meios de comunicação, de poder de coerção/cooptação e de total falta de escrúpulos para deles se utilizarem (veja-se, p.ex., recentes matérias nos grandes meios de comunicação enaltecendo a diminuição do desemprego no último mês de dezembro encobrindo o fato de que esse mês é uma espécie de dois-em-um pelo 13.º salário e pelas compras de final de ano. Veja-se também a demissão do jornalista Boris Casoy, crítico do governo, até hoje não explicada). Por outro lado, o presidente abdicou da missão de governar e percorre o País como tresloucado cabo eleitoral de si próprio, fabricando diariamente “factóides” que o colocam em destaque em todos os telejornais. Desmoralizados pelos escândalos, seus principais interlocutores, PT, aliados e agregados, o presidente abandonou-os à própria sorte e tenta falar diretamente às massas, especialmente a seus extratos mais incultos e desinformados, vendendo-lhes, ainda, a ilusão de um homem traído e perseguido por causa do preconceito das elites contra o operário de humildes origens.
Além do natural apego à sobrevivência que um novo mandato possibilitaria ao PT e ao presidente, um outro dado deve ser acrescentado para justificar sua luta que já é desesperada para manter-se no poder. Sem os instrumentos de coação/cooptação que o poder federal oferece, sem, a partir de sua perda, a docilidade e até mesmo a simpatia de meios de comunicação e tribunais, sem a obstrução às investigações praticada por dirigentes ministeriais e de estatais, sem a impunidade que tudo isso pode propiciar, muitos dos próceres petistas, os principais operadores dos mensalões, irão concluir suas biografias na cadeia. (Carlos Ladeira - RG 6.994.287)