O volume de exportações de Bauru em 2005 atingiu US$ 83 milhões e um superávit de 5% sobre a receita obtida em 2004, calculada em US$ 78,5 milhões. O levantamento, divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), aponta também que o município ocupa a 202.ª posição no ranking das cidades que mais exportam no País. A liderança é de São Paulo, que exportou US$ 5,604 bilhões no ano passado, seguida por São José dos Campos, que enviou ao Exterior volume de US$ 4,947 bilhões.
Os setores que mais exportaram na cidade, de acordo com o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Ricardo Coube, foram os de alimentos, indústria gráfica e de baterias. Inclusive, os empreendimentos alimentícios destacam-se como o segmento que mais arrecadou Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em 2005. Segundo dados da Secretaria de Finanças do Estado de São Paulo, o setor recolheu em Bauru R$ 35,3 milhões, o equivalente a 54,14% de um total de R$ 65,2 milhões.
Para Coube, o crescimento das exportações tem de ser avaliado com cautela. Ele considera que o reajuste não significa melhor desempenho das empresas e não tem contribuído para a abertura de novos postos de trabalho no município.
“Quem exportou a mesma quantidade em 2004 e 2005, obteve um faturamento final menor no ano passado. Isso aconteceu porque teve um decréscimo de câmbio na ordem de 15%, o que fez com que houvesse uma queda dos faturamentos da exportação, mesmo mantendo a quantidade anterior de produtos. Sem contar que os custos industriais estão sempre subindo”, analisa Coube. “Em 2005, a geração de emprego foi positiva de 1%, mas detectamos que os crescimentos significativos são de empresas de setores que têm no mercado interno uma posição bastante relevante”.
O titular do Ciesp acredita que um dos fatores que têm levado ao aumento das exportações em Bauru está vinculado ao fato de as empresas deixarem de oferecer ao Exterior apenas o excedente de produção. Para ele, as indústrias, atualmente, estão estruturadas e formatadas para atuarem no mercado internacional.
O economista Reinaldo Cafeo cita a internacionalização de uma empresa de produto gráfico do município, assim como a estabilidade de disposição de produtos de outras instaladas na cidade, dos ramos alimentícios e industriais, como responsáveis à elevação do volume de exportações.
De acordo com ele, o envio de produtos brasileiros ao Exterior poderia ser melhor se não fosse a defasagem cambial.
“Um dos fatores limitantes para a exportação é esse câmbio que oscila entre R$ 2,20 e R$ 2,30. O setor de exportação brasileiro vem mantendo-se no mercado às custas de uma engenharia financeira praticada pelas grandes empresas”, comenta.
Sobre a posição de Bauru no ranking das cidades que mais exportam no Brasil, Cafeo acredita que o município tem condições de crescer mais. “É característica de cidades que têm a força industrial nas pequenas e médias empresas, as quais têm mais dificuldades de inserção internacional, porque precisam investir muito para manter participação em feiras e em contatos comerciais, não conseguirem ter uma grande alavanca. Mas o ranking não me surpreende, apenas demonstra que ainda é preciso crescer”, observa.
Inversão de valores
De acordo com o vice-presidente e diretor de exportação da Indel - empresa bauruense que exporta produtos para proteção de redes de energia, como chaves e fusíveis - Alexandre Brustello, as exportações da empresa em 2005 foram 30% superiores a 2004.
O volume de produtos enviados ao Exterior no ano passado atingiu US$ 150 mil, contra US$ 110 mil do ano anterior. Porém, explica Brustello, o lucro de 2005 foi menor que o de 2004.
“Lucramos menos em 2005 porque o valor que a gente praticava em dólar em 2004 não pode ser reajustado na mesma proporção que valorizou o real. Isso ocorreu devido à grande queda do dólar. Tivemos que atender muitos pedidos, mesmo sem obter lucro, para não perder clientes”, explica. A Indel exporta para países da Europa, Ásia e América do Sul.