Regional

Nathália: Um caso mal resolvido

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A localização de um corpo desfigurado e abandonado em lugar ermo da rua Nicola Franzé, na parte alta do Parque Santa Guilhermina, no dia 2 de maio de 2004, abriu uma ferida na comunidade de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). Próximo de se completar dois anos do assassinato da jovem Nathália Cristina dos Santos Silva, na época com 19 anos, as investigações continuam, com a busca de provas.

Na época, ninguém foi preso em flagrante, porém, em julho daquele ano, quatro pessoas tiveram prisão temporária decretada que, posteriormente, foi convertida em preventiva. Um deles ficou foragido até reaparecer muito tempo depois. A morte gerou comoção na comunidade pirajuiense, que passou a conviver em um novo ambiente social em que, na ausência dos moradores de suas residências, portas não podem mais ficar apenas no trinco e janelas devem permanecer fechadas. O tio de Nathália, o funcionário público Marcos Fernandes da Silva, 42 anos, não se contém ao falar da morte da sobrinha. “Aquilo não foi um assassinato. Foi um espancamento brutal que a gente, como família, não espera que ninguém na vida seja tratado como foi a Nathália. Como ela estava, a gente precisou fechar o caixão para o velório, porque ela foi espancada do pescoço para cima. Ela estava tão desfigurada que duas tias, que são enfermeiras, não conseguiram reconhecer o corpo”, frisa. “Não satisfeitos com a morte dela, eles ainda tentaram simular, provavelmente, um atropelamento passando várias vezes com o carro em cima para que estourasse todo corpo dela por dentro”, desabafa.

Na véspera da morte, no sábado, 1 de maio, Nathália saiu de casa na Vila Esperança, num ritual que se repetia todo fim-de-semana. Segundo Silva, ela se reunia com amigas e foram para a rua Riachuelo, em um local conhecido como “Reduto”, nas proximidades da delegacia de polícia. Ele tem a convicção de que a morte da sobrinha está relacionada com um círculo de pessoas que traficava e consumia entorpecentes em Pirajuí.

“Sem sombra de dúvidas, do que mais temos certeza é que foi um ‘cala boca’ e isto está no processo. Ela já vinha sendo ameaçada, mas nós, da família, não sabíamos desse caso. Então, tudo leva a crer que foi uma queima de arquivo”, garante. Silva também tem certeza de que o crime não foi executado por uma única pessoa. “Quem conviveu com a Nathália sabe que ela era uma pessoa forte e saudável porque foi uma queima de arquivo. E não são só os quatro (suspeitos). Há mais gente envolvida neste caso”, acusa.

Ao comentar sobre a vida amorosa de Nathália, Silva afirma que ela nunca teria tido um namorado. Porém, o fato de não ter um namorado não significa, para a família, que a jovem não gostasse de alguém. Em especial, Silva relata que Nathália gostava, desde muito nova, de um jovem comerciante que também se relacionava com os quatro suspeitos pelo crime. Esse homem foi uma das principais testemunhas na fase do inquérito policial e da apresentação formal de denúncia pelo Ministério Público à Justiça. Conforme Silva, o jovem comerciante foi a última pessoa vista com a vítima. “Do que sabemos, foi a última pessoa que esteve com ela antes dela ser morta. A gente tem muita dúvida em relação ao que aconteceu a partir do instante que ele a teria levado para a casa do meu irmão (pai de Nathália)”, relata. Sem saber precisar, Silva diz que Nathália teria sido morta entre 2h e 3h30 da madrugada do domingo. Ela foi encontrada pelo caseiro responsável por um clube de tênis, no Parque Santa Guilhermina. O corpo estava coberto com um papelão. “O corpo não, o que restou dela”, corrige Silva.

Até a morte de Nathália, em 2 de maio, alguns lances aconteceram. A versão que serviu como linha condutora das investigações policiais para a montagem do processo aponta para, como se define popularmente, queima de arquivo.

Comentários

Comentários