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Meninos agem às claras

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A grande maioria das pessoas já cometeu e sofreu bullying na escola, entre irmãos, em relacionamentos ou no trabalho, aponta a professora e proprietária de uma escola de idiomas Laura Brandão, que desenvolveu um estudo sobre o tema em classes de sétima e oitava séries de um colégio de Bauru.

O fenômeno, porém, atinge principalmente crianças e adolescentes. “Eles conseguem ser extremamente cruéis. Se a criança vem de uma casa onde a violência é tolerada - caso das brigas por conta do futebol, por exemplo - elas podem dar mais trabalho”, diz.

“Além disso, vivemos em uma sociedade competitiva e que tende a discriminar o que é diferente. Isso pode estimular a prática do bullying”, ressalta Brandão.

A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas, explica Isabel Cristina Dalco, psicóloga clínica especializada em crianças e adolescentes. De acordo com ela, os garotos agem de forma mais explícita. É mais comum vê-los se enfrentando ou tirando sarro de alguém na frente de todo mundo.

Já as garotas, educadas para serem recatadas, são mais dissimuladas. Dar apelidos, difamar ou fazer fofoca são os tipos mais frequentes de bullying entre elas. A professora Valéria Garbelloti, que dá aulas para estudantes de 10 a 13 anos, concorda. “Os meninos costumam ‘tirar satisfação’, brigar.”

“As meninas são mais irônicas. Elas se atingem intelectualmente, dizem que a outra é burra, não sabe nada, apontam a cor do cabelo”, diz Garbelloti. “Existe muito ‘chumbo trocado’, ninguém gosta de ser apelidado ou provocado”, pontua.

É justamente isso que acontece na sala de Maria Paula Dário Lopes, 12 anos, e Beatriz Meneghetti, 11 anos. Ambas contam que são autoras e vítimas de bullying. “Eu faço e sofro (bullying). Brigo com minha amiga e depois de cinco minutos estamos conversando de novo”, revela Meneghetti.

“Menina diz que a outra é burra, lerda. É ruim quando os outros dão apelido e alguém passa vergonha diante da sala toda”, diz Lopes. Era o que Ana Carolina de Mello Mendes, 11 anos, sentia quando os colegas lhe davam apelidos. “Eu era gorda e todos os dias alguém me chamava de baleia, gorda, burra”, diz.

Isabela Abreu, 11 anos, conta que de vez em quando “tira sarro” com Ana Laura Motta, 11 anos, mas afirma que as duas são muito amigas. “Às vezes, eu brigo, fico ‘zuando’ a Ana Laura. Falo que ela é ‘nerd’”, diz. Motta, que tem personalidade mais introvertida, não costuma “rebater” às brincadeiras de Abreu.

A timidez também caracteriza o perfil de Antônio Emídio de Rezende Neto, 12 anos, e Cláudio Renato Garbuio Filho, 11 anos. Por conta disso, eles adotam uma postura mais reservada em relação ao bullying. “Não gosto quando me chamam de gordo ou ‘nerd’, mas prefiro ficar quieto”, conta Neto.

“Não gosto, mas sei que é só brincadeira”, revela Filho, que, às vezes, é chamado de Bob Esponja pelos colegas de classe. Ricardo Lourenço, 10 anos, concorda com os colegas, mas faz questão de retrucar quando é alvo do bullying. “Quando me xingam não gosto e quando me irrito, falo bobagem para o outro também”, diz.

Leonardo Gadret, 13 anos, conta que já cometeu e foi vítima de bullying e afirma que o comportamento não vale a pena. “Já sofri bastante e não gosto de provocar. Agora, estou mais sossegado”, diz.

Indicadores de bullying

Demonstrar falta de vontade de ir à escola.

Sentir-se mal perto da hora de sair de casa.

Revelar medo de ir ou voltar da escola.

Mudar freqüentemente o trajeto de ida e volta.

Pedir sempre para ser levado ao colégio.

Apresentar baixo rendimento escolar.

Voltar da escola, repetidamente, com roupas ou livros rasgados.

Chegar muitas vezes em casa com machucados inexplicáveis.

Pedir para trocar de colégio.

Tornar-se uma pessoa fechada, arredia.

Parecer angustiado, ansioso e deprimido.

Apresentar manifestações de pouca auto-estima.

Ter pesadelos freqüentes, chegando a gritar “socorro” ou “me deixa” durante o sono.

“Perder”, repetidas vezes, seus pertences ou dinheiro.

Pedir sempre mais dinheiro ou começar a tirar dinheiro da família.

Evitar falar sobre o que está acontecendo ou dar desculpas pouco convincentes para tudo.

Tentar ou cometer suicídio.

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