A proposta de substituir a remuneração por produção pela fixa poderá provocar insatisfação até entre os cortadores de cana. A opinião é de Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo. Para ele, os bóia-frias não aceitarão a medida porque terão o ganho limitado.
Para que o valor fosse estabelecido com um só, o montante teria que ser elevado e inviabilizaria a atividade, diz. Além disso, Lima Verde considera difícil associar as mortes apuradas pela ONU exclusivamente ao esforço excessivo os trabalhadores rurais. “As pessoas morrem em qualquer atividade. Não se sabe se eles tinham doença preexistente”, explica.
No entanto, Lima Verde aponta o trabalho no canavial como o mais desgastante em todo o setor agrícola. Ele não descarta a possibilidade dos outros pontos abordados pelos subdelegados serem avaliados pelo setor patronal. Lima Verde destaca que as outras questões apontadas são discutidas anualmente pelo setor patronal e trabalhista, por ocasião do acordo coletivo.