Enquanto o salário mínimo subirá mais de 16%, os aposentados e pensionistas que recebem benefício superior a esse valor, receterão só 5% de aumento neste ano. “Isso vai achatar ainda mais o que a gente recebe. Daqui alguns anos todos nós vamos estar recebendo isso, mesmo os que foram aposentados com benefício bem maior”, critica Mário da Paz Pereira, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região.
A Previdência Social possui piso de um salário mínimo para a aposentadoria e teto de R$ 2,6 mil. O benefício é reajustado pelo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O governo anunciou que o salário mínimo subirá 16,66% em abril ou maio. Caso o aumento seja concedido em abril, o INPC será de 4,5%. Se for no mês seguinte, o cálculo somará 5%, pois englobará o aumento da referência salarial.
Em Bauru, 70% dos previdenciários recebem mais de um salário mínimo. São cerca de 30,1 mil aposentados e pensionistas que verão seus vencimentos subirem menos do que os de quem recebe o piso do benefício. “Desde quando o governo desvinculou a aposentadoria do aumento do salário mínimo, nós estamos assistindo o nosso benefício desvalorizar”, aponta Pereira.
Na sexta-feira, sindicalistas protestaram em São Paulo, reivindicando que o aumento para os aposentados seja igual ao do salário mínimo. No mesmo dia, em Bauru, Pereira entregou uma carta ao senador Aloísio Mercadante (PT-SP) que visitava a cidade, expondo o problema. “Espero que ele lute por uma emenda no projeto de lei que regulamente o aumento do mínimo”, conta. Pereira pretende mandar uma outra carta, desta vez para o senador Eduardo Suplicy, pedindo atenção para a causa dos aposentados.
Na previdência há 18 anos, Sérgio Amelino Pinto criticou o reajuste. “Seria melhor se não viesse nada. O que tá subindo não cobre nem a defasagem”, desabafou. Segundo ele, desde quando se aposentou, o seu benefício já caiu 60%. “No início, eu recebia mais de oito salários mínimos, agora ganho menos de quatro”, desabafa.
Favorável ao governo
Para o economista Fernando Pinho, o INPC é um índice muito favorável ao governo, pois não capta aumentos de produtos importados, como o petróleo, que tiveram aumento maior que a inflação. “Além disso, esse aumento de mais de 16% do salário mínimo tem um viés mais político do econômico”, critica. Segundo o especialista, isso está coerente com o histórico nacional. “Em ano de eleição, o mínimo sempre tem um aumento maior”, aponta.
Pinho também alerta que o novo valor do mínimo não irá contribuir muito para a economia. “É um ganho ilusório. Logo os preços vão subir na mesma proporção. A economia vai se adaptar ao reajuste e em outubro ele já foi consumido pela inflação e pelo aumento da carga tributária”, alerta.