Bairros

Por causa da chuva, pode faltar água

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Assim como a estiagem, a chuva em excesso também representa problema para as cidades abastecidas por rios. Em Bauru, após três dias de chuva, cerca de 93 mil pessoas que moram no Centro e bairros das zonas sul e oeste estão com o abastecimento de água prejudicado por conta da grande quantidade de terra e vegetação que foi carreada para o rio Batalha.

As três bombas instaladas no rio captam água para 40% de Bauru – cerca de 140 mil pessoas -, mas no início da madrugada de ontem foram desligadas por causa da quantidade de taboas e aguapés que invadiram a represa onde o Departamento de Água e Esgoto (DAE) faz a captação. Se a vegetação que estava nas margens do rio e foi transportada para represa pela força da enxurrada chegasse às bombas, as máquinas poderiam queimar, informa a assessoria de imprensa da autarquia.

O fenômeno, segundo documentos do DAE, não ocorria há pelo menos dez anos. O coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil, Álvaro de Brito, acredita que a enchente de ontem pela manhã no rio Batalha foi a maior dos últimos 35 anos. “Há trechos em que o rio estava com 100 metros de largura. Só lembro disso na minha infância, em 1970”, frisa.

Ainda na madrugada, o DAE começou a retirada das taboas e aguapés da represa de captação usando duas máquinas retroescavadeiras. O problema comprometeu a distribuição de água no Centro Jardim Ouro Verde, Vila Independência, Vila Ipiranga, região da Vila Falcão, Jardim Estoril, entre outros bairros, apesar do DAE ter informado que recebeu poucas reclamações de desabastecimento.

Uma delas é da dona de casa Gorete Bastos Silva, que mora no Jardim Ouro Verde. “Quando o sol saiu, resolvi lavar toda a roupa suja no final de semana. Mas logo a água acabou. Minha caixa é pequena e a torneira da rua estava seca”, relata.

No início da tarde, com a represa livre de taboas e aguapés, havia condições de colocar em funcionamento as três bombas novamente, mas apenas uma foi acionada.

Como tinha muita terra e partículas de vegetação na água do rio, o processo de tratamento passou a ser mais complexo, o que levou o DAE a reduzir a captação. “Em função da turbidez da água e para manter o padrão de qualidade, o DAE optou por tratar menos água”, explica Vera Lúcia Andrade, assessora de imprensa do DAE.

Por isso, a orientação do DAE à população do Centro e zonas oeste e sul de Bauru é para economizar água. Até ontem à tarde, não havia previsão de quanto tempo vai demorar para a sujeira decantar no fundo do rio e as outras duas bombas serem religadas. Mas a expectativa, conta a assessora de imprensa, é que pelo menos uma das duas bombas seja ligada hoje.

Se for preciso, o DAE dispõe de caminhão-tanque para fazer o abastecimento das regiões sem água. Mas a prioridade é para unidades de saúde, escolas e órgãos públicos. Na Bela Vista, apesar do bairro não ser totalmente abastecido pelo Batalha, também faltou água ontem. “A sorte é que ainda tenho água na caixa, que é grande”, comentou José Eduardo Oliveira Prado, que mora na rua Padre Nóbrega. O DAE informa que há regiões do bairro que recebem água do Batalha.

• Serviço

Reclamações de falta de água devem ser feitas pelo 0800-7710195

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Aves

Se por um lado a enchente no rio Batalha trouxe problemas para o sistema de captação e tratamento da água que é distribuída em Bauru, também revelou cenas já raras. “Hoje (ontem) era possível ver biguás, marrecos selvagens, socós, dois tipos de garça e quero-quero nas margens inundadas do rio”, relata José Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.

Ele ressalta que a inundação dá vida às margens dos rios. “É um fenômeno que fertiliza as margens. É assim no rio Nilo. Às vezes o rio transborda em regiões desérticas por causa da quantidade de chuva na cabeceira e isso permite a agricultura nas margens que seriam secas”, comenta.

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Previsão

A chuva acumulada neste mês em Bauru, de acordo com a medição do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), já é de 143,4 milímetros – a média histórica de fevereiro é de 181 milímetros. Somente de sábado até ontem à tarde foram 143 milímetros. E a previsão é de mais chuva.

Para hoje, a previsão do Centro de Pesquisas do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) é de pancadas de chuva. Já amanhã, o tempo em Bauru deve ficar nublado, com pancadas de chuva. Para quinta e sexta-feira, a previsão é de chuva.

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