Cabrália Paulista - Uma a uma, todas as pontes de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) foram destruídas pela força das águas, deixando ilhados os moradores da zona rural.
A chuva forte e constante que atingiu a cidade anteontem fez transbordar as represas que os proprietários constróem para irrigar a lavoura, criar peixes ou apenas embelezar suas propriedades. Algumas dessas represas se romperam e a força da água destruiu o que encontrou pela frente.
Como em um efeito dominó, cada uma das pontes da zona rural de Cabrália foi desabando. Mesmo as de concreto não resistiram à força das águas. A estimativa é de que pelo menos 12 pontes caíram.
Ontem, o cenário era desolador. O prefeito Jacintho Zanoni Filho (PSB), ao lado de engenheiros da prefeitura e de representantes da Defesa Civil, visitou os locais mais afetados e diante do que viu acabou decretando situação de emergência no município.
O engenheiro Vicente Luís Ribas de Abreu disse ontem que ainda não tinha como fazer uma estimativa do prejuízo que a cidade teve com a chuva. A cada hora que passava chegavam novas informações de pontes danificadas e o estrago ia ganhando proporção cada vez maior.
Vicente acredita que só hoje será possível fazer um relatório detalhado dos danos provocados pela chuva. Esse documento será enviado para o governo do Estado na esperança de se obter ajuda financeira para restabelecer a ligação por terra com os moradores da zona rural.
A prefeitura inicia hoje um trabalho emergencial. A idéia é recuperar os principais acessos, mesmo de forma provisória. Se a chuva der uma trégua, Vicente acredita que isso poderá ser feito até o fim desta semana.
Sobre a recuperação total dos acessos, o engenheiro acha que será preciso de dois a três meses. Isso se o governo do Estado colaborar. Segundo ele, a prefeitura não tem dinheiro para arcar com todo o prejuízo.
A reconstrução de uma das pontes do bairro rural Floresta, feita de concreto, está estimada em R$ 140 mil. Fora esta, existem pelo menos mais 11 para serem feitas de novo.
A ação emergencial que a prefeitura prepara a partir de hoje tem também o propósito de dar condições para o transporte dos alunos até a cidade.
Sem ter como sair dos sítios e fazendas, centenas de estudantes faltaram ao primeiro dia de aula. Os ônibus que fazem o transporte escolar permaneceram na garagem porque não tinham como chegar ao destino.
O sargento da Polícia Militar, Cláudio Gimenez, chegou a cogitar até mesmo a possibilidade de usar o helicóptero Águia, que fica em Bauru, para fazer o transporte dos moradores da zona rural de Cabrália, em caso de emergência.