Tribuna do Leitor

Falso moralismo


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Em ano de eleições milagres acontecem. Em atitude inversa à que tradicionalmente costumam adotar, os parlamentares de Brasília votaram pelo fim do privilégio do pagamento adicional de dois salários quando são convocados para trabalhar no recesso do Congresso. Aceitaram ainda encurtar o período de férias de 90 para 55 dias - a proposta original previa 45. É claro que as medidas não ocorreram por iniciativa própria ou um súbito “pesar na consciência”. Vieram somente depois de muita pressão da opinião pública e da imprensa - que passou a acompanhar passo a passo o destino dos vultosos salários extras, bem como a denunciar o falso moralismo de muitos parlamentares que propagavam que iriam doar a quantia, ou uma porcentagem dela, para entidades de assistência social, enquanto a real intenção era bem distinta.

As mudanças aprovadas pelos parlamentares não deixam de ser um avanço. A economia de salários será de R$ 100 milhões. Porém, está longe de ser justa diante da situação de milhares de brasileiros. Deputados e senadores continuarão gozando de regalias absurdas que os demais trabalhadores do país nem sonham em ter - aliás, estes estão preocupados em perder duas das poucas que têm direito, as férias remuneradas e o 13º salário.

Enquanto qualquer assalariado “normal” tem 30 dias de férias, os nobres deputados e senadores continuarão gozando de 25 dias a mais. Além disso, os parlamentares mantiveram os 15 salários anuais - dois a mais que a média geral paga no Brasil. Sem contar que os holerites de deputados e senadores estão na casa do R$ 12.800 - o salário mínimo foi reajustado para R$ 350 em abril.

Assim, meu caro leitor desta democrática coluna “A Tribuna do Leitor”, quando nos próximos meses “caça-voto” você se deparar com políticos, atrás do seu precioso voto, vangloriando-se de ter perdido benefícios, lembre-se dos 15 salários anuais e dos 55 dias de recesso, entre outros privilégios, os quais têm direito. Como pode-se ver, a pauta da moralidade do Congresso ainda está longe de ser finalizada, mas já é um bom começo. Não acham?!.

João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa

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