Tribuna do Leitor

Partido Verde - 20 anos de Brasil


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No ano em que o Partido Verde completa 20 anos de Brasil decidi escrever algumas linhas expondo a trajetória e elencar alguns momentos e fatos que a marcaram. Exilados brasileiros do período da ditadura influenciados por movimentos alternativos e de ecologistas da Europa, ao voltar ao Brasil, somam-se a escritores, artistas, intelectuais e ativistas e, com o fim do regime militar, fazem surgir no Rio de Janeiro, em 1986, o Partido Verde. No seu ano de fundação, uma aliança informal com outro partido possibilitou que os verdes participassem da eleição para o governo do estado do Rio de Janeiro. Pela primeira vez as tevês e as ruas brasileiras viram manifestações por uma política ecológica, alternativa, feminista, anti-racista e que pedia uma reforma da legislação sobre drogas. Bandeiras pouco conservadoras como essas, principalmente para a época, afugentavam qualquer possibilidade de auxílio vindo do sistema vigente.

Foi a incansável resistência de competir em desfavoráveis condições com nossos adversários que nos obrigaram a criar atitudes diferenciadas em campanhas eleitorais. Muitas delas bem interessantes. Na semana passada, Luiz de França Penna, nosso presidente nacional, contava-me um desses episódios memoráveis. Planejaram soltar Fernando Gabeira de barquinho em pleno Rio Pinheiros para protestar contra a poluição dos rios que banham São Paulo. Havia, então, uma preocupação muito grande com a possibilidade do barquinho ser tragado pela Usina de Traição, que inverte a trajetória do referido rio. A preocupação foi tanta que, postada toda a imprensa para registrar o fato inusitado, Gabeira se esqueceu dos remos no apartamento...

O protesto encontrou eco entre os Verdes da região. Em Jaú, há pouco mais de uma década, seus integrantes se revezavam dentro de uma barraca montada numa ilha formada pelo assoreamento do Rio Jaú. A atitude chamava a atenção da comunidade para os problemas causados pela poluição e pelo assoreamento do rio que havia parido a cidade nos idos de 1800. Nos últimos anos a população brasileira tem sentido esse diferencial também nos programas de tv. Enquanto muitos partidos tradicionais divulgam o reflexo de uma guerra interna de egos disputando um espaço na telinha para proferir discursos por vezes monótonos, preferimos trazer uma mensagem institucional condizente com as metas do partido, discorrendo sobre temas como a vida e a necessidade de se fazer política com alegria e sinceridade.

Nas campanhas locais procuramos pautar nosso discurso pela ética e pela proposição de soluções. Caímos no gosto da comunidade ao oferecer brindes diferenciados. Trocamos as tradicionais réguas e lixas de unha por mudas de árvore. Salvo problemas pontuais, rechaçamos a tradicional chuva de papéis que caracteriza a madrugada anterior aos pleitos. É certo que ainda temos muito a evoluir, mas já oferecemos contribuições significativas durante as últimas duas décadas. Hoje todo partido que se preza possui uma plataforma ambiental, apresenta cada vez mais mulheres em seus quadros, rejeita o racismo e inclui o usuário de drogas mais como um problema social que policial. Algumas bandeiras erguidas pelos Verdes de Jaú foram adotadas por governos municipais na última dúzia de anos, atitudes que corroboram a seriedade de nossas propostas. Um setor da prefeitura voltado às questões ambientais, o tratamento do esgoto do Rio Jaú, a criação de grandes parques no perímetro urbano e o surgimento de uma ouvidoria municipal são algumas delas.

José Paulo Toffano - coordenador regional do Partido Verde e ex-secretário de Meio Ambiente de Jaú

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