Cultura

Sesc recebe samba feminino d’O Roda

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Música brasileira, resultado da união do samba e do pagode, do choro e da MPB, refogados com suíngue e musicalidade carioca e um tempero especial: a feminilidade. O resultado é o som do grupo O Roda, que mostra o show do seu último trabalho, “Coisas de Amor”, hoje à noite na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Depois de passar por diversas formações, inclusive como Roda de Saia, O Roda atualmente conta com Ana Costa, Bianca Calcagni, Carol D’Ávila e Georgia Câmara, que compõem e cantam suas canções ou interpretam clássicos dos gêneros puramente brasileiros. A apresentação de hoje no Sesc terá ainda a presença da carioca Deise do Banjo, presença freqüente nas casas de samba de São Paulo e que vem a Bauru a convite das integrantes.

“O grupo já teve várias formações, mas a Ana e eu sempre estivemos mais na ativa, preocupadas com o trabalho desde o começo. Montamos uma produtora para cuidar d’O Roda e também um selo, o Zambo Discos. Nosso trabalho é sempre solicitado para eventos e festas, e as coisas vão mudando, outras meninas vão entrando, mas o objetivo é mostrar o samba, a nossa cultura brasileira”, comenta Bianca, em entrevista ao JC Cultura.

De acordo com a musicista, o show segue o disco “Coisas de Amor”, lançado em 2003, com diversas novidades. “Nossa intenção é mostrar o nosso trabalho, tem algumas coisas inéditas e também canções para o público cantar junto. Colocamos Martinho da Vila, que é nosso padrinho, Noel Rosa, por conta da nossa ligação forte com Vila Isabel, Cartola, Nelson Cavaquinho, Zeca Pagodinho, Clara Nunes, Beth Carvalho. É um grande apanhado”, define.

Surgido em 1996, O Roda prepara as comemorações para os dez anos de sua trajetória. Segundo Bianca, a idéia é produzir um disco comemorativo até o final do ano. “Estamos em pré-produção, correndo atrás de patrocínio para esse nosso terceiro CD. A idéia é recapitular tudo o que passou nesses dez anos, relembrar as parcerias, com muitas participações especiais dos que apoiaram nosso trabalho desde o início”, planeja.

Com o pé no samba

O grupo surgiu da informalidade das rodas de samba em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, em 1996, dos encontros aos sábados. Musicistas e amantes do samba e da boemia, elas se conheceram nas rodas de samba do Rio e, primeiro, formaram o Roda de Saia, que deu origem ao O Roda. Batuque de mãos femininas, que tomou o botequim e os quintais, redutos de homens, para ganhar a benção dos mestres e bambas - Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Beth Carvalho.

Em dois anos de samba, o grupo garantiu a participação nos encontros e no CD “Butiquim do Martinho”, em 1997. As influências familiares e de infância deixaram-se surgir nas interpretações de Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Cartola e Noel Rosa, entre muitos outros.

O primeiro CD, ainda como Roda de Saia, veio em 2000, “Tô de Olho”, com canções inéditas de Martinho, Aragão, Arlindo Cruz e Serginho Procópio, da Velha Guarda da Portela. O segundo disco, “Coisas de Amor”, saiu do forno em 2003, já com Ana, Bianca e Dedé Alves formando O Roda. O disco abre novos aspectos no som do grupo e valorizou as composições próprias.

“Estou no samba desde pequena, com minha mãe, que é cantora e compositora. Eu vivia por ali então os sambistas me conheciam bem antes de eu tocar e cantar. Surgimos no auge do pagode românico, mas nossa proposta era diferente, nunca recebemos aquele olhar de ‘Que trabalho é esse?’”, relembra Bianca. “O público até estranhava de sermos só mulheres, as pessoas desconfiavam, mas hoje é superbacana, temos um grande respeito”, completa.

• Serviço

O Roda faz show hoje no Sesc, às 21h. Ingressos a R$8,00 e R$4,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1751.

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