Diretamente da África e pela voz do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, foi dado a todos nós, brasileiros, o direito de saber que o presidente da República, D. Lula da Silva, nosso homem inaugural, emagreceu doze quilos. O milagre do enxugamento das banhas presidenciais seria resultado da combinação da dieta das proteínas, que elimina por completo a ingestão de carboidratos, com a abstinência de bebidas alcoólicas, pelo prazo de quarenta dias.
Tão logo a relevante notícia foi veiculada pela imprensa, a doutora Marisa Coral, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, mais uma vez, bateu pesado no marido de dona Marisa Letícia. Segundo ela, Lula dá péssimo exemplo, ao seguir e propagar “essas dietas da moda, que prometem uma solução mágica”. Afinal, observou, por ser um homem público, é capaz de influenciar - negativamente - as pessoas. O que é pior: os gorduchos, como eu, têm uma vocação irresistível para abraçar com entusiasmo efêmero toda e qualquer solução mágica que lhes sejam apresentadas. Todo gordo tem, sim, uma relação de amor e ódio com a charlatanice. O amor aflora, quando a sanfona se fecha; o ódio explode, quando ela volta a se expandir em alta e incontida velocidade. Sei do que falo.
Doutora Marisa foi além: “Um grama de álcool tem mais calorias que um grama de açúcar. Mas só quem bebe muito pode emagrecer para valer apenas cortando o álcool”. Em sendo assim, o presidente não tem porque se preocupar com o brinde que fez em Botsuana. Não será aquele trago esporádico que lhe roubará o prazer de exibir lampeiro a quase esbelta silhueta. Ocorre que, segundo os médicos, ingerir proteínas em excesso - e só elas - eleva os níveis de colesterol e de ácido úrico no sangue, dana o organismo. Mas isso é problema dele, só dele.
O que me aporrinha é o fato de que divulgar dietas erradas está bem longe de ser o único péssimo exemplo dado pelo presidente-itinerante. Ele tem feito coisas medonhas. A pior delas é não perder qualquer oportunidade para fazer a plena apologia da ignorância. Lula da Silva já disse em alto e bom som que ler é mais chato que andar em esteira. Também não perde a chance de alardear que a falta de diploma não o impedirá de ensinar aos letrados como se deve governar um país. Neste caso, à ignorância soma-se uma arrogância cavalar. É de espantar o fato de que ainda não o tenham processado por atentar contra o Estatuto da Criança e Adolescente.
O que permeia os exemplos acima, os dois de amplo conhecimento público, é a absoluta falta de compromisso de Sua Excelência com a verdade. Ele abusa, sem constrangimento, dos números que lhe passam, ainda que eles, como demonstram os relativos à criação de empregos formais no país, nada tenham a ver com a realidade.
Pouco me importa se Sua Excelência faz dietas desaconselháveis ou se deu uma trégua aos destilados. A lamentar só o fato de que, por erro de cálculo e por covardia, a oposição tenha enfiado a viola no saco e perdido a oportunidade de mandá-lo exibir seu físico de “toureiro espanhol” em outra freguesia.
O autor, Orlando Silveira, é jornalista - MTB 12.613