As samambaias do Jardim Botânico de Bauru, assim como as orquídeas e as plantas medicinais, também terão casa própria. O local, que deve começar a ser construído em abril, vai abrigar cerca de 50 espécies, as quais foram encontradas dentro da área de 321 hectares da reserva.
A obra será viabilizada através do prêmio de R$ 62 mil, que foi faturado pela diretoria do Jardim Botânico no concurso “Investindo na Natureza”. A organização foi da Rede Brasileira de Jardins Botânicos e o patrocínio do HSBC.
O espaço das samambaias será decorado com plantas ornamentais, a fim de tornar o ambiente mais atrativo aos visitantes. A idéia é do diretor da reserva, Luiz Carlos de Almeida Neto.
Segundo ele, o projeto intitulado “Pteridófitas: conservação e educação no Jardim Botânico Municipal de Bauru” tem o objetivo de conservar as espécies com apoio à pesquisa e ao trabalho científico, de promover a educação ambiental e também de incentivar o lazer no local.
Almeida Neto diz que pretende tornar a reserva um espaço destinado não apenas aos trabalhos técnicos de pesquisadores, mas, sobretudo, um local onde as pessoas possam ter momentos de descanso e lazer.
A proposta também prevê a viabilização de um laboratório de horticultura, onde serão realizados os experimentos do cultivo das samambaias. A técnica, explica Almeida Neto, será divulgada a outros jardins botânicos. “O propósito não é só coletar a planta e conservá-la, mas saber como fazer sua multiplicação. Paralelamente, vamos divulgar nas escolas, através de folders e palestras, informações a respeito desse grupo de plantas. Vamos trazer as crianças para dentro do Jardim Botânico”, completa o diretor.
As samambaias foram o eixo do projeto, segundo Almeida Neto, por conta dessas plantas serem muito pouco preservadas fora do ambiente natural em jardins botânicos. Os estudos, diz ele, enfocam mais as orquídeas, cactos e bromélias. O diretor acredita que por essa razão a proposta tenha sido contemplada.
O projeto foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) – para utilização do laboratório de Botânica – e com a pesquisadora Gisele Areias, que está fazendo um levantamento no Jardim Botânico de Bauru sobre as samambaias, a fim de concluir seu trabalho de mestrado.
A proposta, conforme Almeida Neto, concorreu com outros projetos de jardins botânicos de todo o País. No entanto, além da reserva bauruense foram contemplados apenas mais dois projetos, um do Museu Paraense Emílio Goeldi e outro do Jardim Botânico do Recife. Ambos também vão receber o valor de R$ 62 mil.
“O dinheiro deve chegar em 20 dias e teremos um ano para concluir todo o trabalho. Pretendemos construir a estufa, que na verdade é uma casa de vegetação, num espaço de 15 metros de comprimento por 20 de largura. Ela será levantada próxima à praça de plantas medicinais”, informa o diretor do Jardim de Bauru.
Atualmente, completa ele, os cientistas conhecem a existência de 12 mil espécies de samambaia.
Próximos passos
Almeida Neto diz que pretende, também através de parcerias, viabilizar outras coleções no Jardim Botânico de Bauru. O próximo projeto, inclusive, será um lago de coleção de plantas aquáticas. O objetivo, assim como das samambaias, é a conservação das espécies, a educação ambiental de estudantes e o lazer da população em geral.