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Com 20.178 nomes, fila não reduz e caos continua na Saúde

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A lista de espera por atendimento médico em Bauru ainda tem 20.178 mil nomes. Há três meses, o número era de 21 mil. A fila é o principal sintoma do caos que acomete há anos a saúde pública em Bauru. O diagnóstico, mais uma vez discutido ontem em reunião convocada pelo Ministério Público, não dispõe de cura definitiva a curto prazo. As feridas, no entanto, vêm sendo expostas.

A fila por ortopedia, por exemplo, não anda praticamente há seis meses. Um único especialista da área atende todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Bauru, no ambulatório de Especialidades da Direção Regional de Saúde (DIR-10). Se ele entrasse em férias hoje, os 16 atendimentos diários seriam interrompidos.

Com a especialidade de reumatologia, a situação não é tão diferente. A cidade e mais 37 outras da região também dependem de apenas um profissional contratado pelo Hospital Estadual (HE) de Bauru. A concorrência é tanta que, uma paciente ouvida pelo JC perdeu as esperanças de ser consultada. Ela insiste em trabalhar apesar das dores pelo corpo e até conseguiu transformar espera em poupança. Economizou para pagar uma consulta particular.

Exemplo

Se a miséria não fosse tanta, o exemplo serviria a outros pacientes, especialmente para aqueles que aguardam consulta na área de pneumonologia. Pelo menos desde julho as consultas não são agendadas. Também faz três meses que não há consultas com endocrinologista.

“O gastro (enterologista) que tinha faleceu recentemente e ainda não foi substituído. Estamos sem consultas há pelo menos dois meses. É um caos e ainda não tem nada que amenize a situação. Vimos alguns resultados na questão na mamografia. Um mutirão foi feito no Estado todo. HE também fez 110 cirurgias de um total de 650 encaminhamentos”, explica Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde.

Ela, que levou o problema ao Ministério Público, também integra o Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, onde estão representados vários segmentos da sociedade. Apesar de confirmar os números, Rosemary mantém a esperança de dias melhores. “Pelo menos agora estão olhando nos nossos olhos e estudando mecanismos (para resolver a questão)”, explica.

Mais uma vez, ela ouviu durante a reunião de ontem que o município se empenhará para melhorar o gerenciamento do sistema. Encaminhará aos especialistas apenas casos necessários e com os procedimentos adequados.

Rosemary também foi informada que o Estado estudará um modo para equacionar a demanda por atendimento especializado, cuja oferta é feita por ele. Por motivos de saúde, o Diretor da Dir-10, Affonso Viviane, não compareceu ao encontro ontem. Foi substituído por Shirley Alonso.

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Apelo contra faltas

Ao todo, 20% dos pacientes faltam à consulta marcada com especialistas. O percentual chamou a atenção do promotor de Justiça, Cidadania e Defesa do Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, para quem uma campanha deve diminuir o índice de ausentes.

“A gente faz um apelo à população: que não falte ou ligue para avisar a falta. Ele não vai e depois volta para a fila”, explica Helene, que convocou representantes da administração municipal, da Direção Regional de Saúde (DIR-10), do Hospital Estadual (HE) de Bauru e da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), além do Conselho Municipal de Saúde.

O promotor compreende as dificuldades a que estão submetidos os usuários, como por exemplo, falta de recursos até para pegar ônibus, mas reitera a necessidade de se comunicar a ausência. Rosemary Lopes de Moura apoia a recomedação do promotor, mas lembra que o comportamento faltoso é um reflexo do falho desempenho dos gestores.

Ela também aproveitou o encontro de ontem para reivindicar que, no imóvel onde será instalada a central de vagas (órgão que concentrará a demanda por consultas especializadas e encaminhará os casos conforme a oferta e a gravidade do paciente), os usuários recebam atendimento adequado enquanto o cartão do SUS é confeccionado.

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