Polícia

Rapaz confessa ter matado 3 idosos em Bariri para roubar

Da Redação
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Um dia antes da celebração da missa de 7.º dia dos três idosos assassinados brutalmente na cidade de Bariri, a Polícia Civil esclareceu o crime. O baiano Clebson Nascimento de Jesus, 26 anos, foi preso na cidade de Boracéia e, no final da tarde de ontem, confessou o crime, um latrocínio (roubo seguido de morte) para subtrair R$ 200,00. Ele já tinha cometido ato semelhante contra um idoso na cidade de Itápolis pelo qual foi condenado a 11 anos de prisão. Clebson deixou o sistema penitenciário no final do ano passado.

Ao sair da prisão, Jesus passou a viver com uma irmã, nos fundos de uma igreja evangélica em Boracéia. Lavrador de profissão, ele confessou ser usuário de drogas e contou que, no dia do crime, estava sob efeito de um cigarro mesclado (feito com maconha e crack).

Na última quarta-feira, acompanhado de um amigo, ele deixou Boracéia e foi de ônibus para Bariri. Visitaram o irmão do amigo que mora naquela cidade e, por volta das 17h, ele se separou do amigo. “Retornei ao Centro da cidade sozinho”, contou em seu depoimento.

Na praça, onde está instalada a Igreja Nossa Senhora das Dores, a mesma freqüentada por Augusto Tonin, 85 anos, uma de suas vítimas, ele fez uso de um cigarro mesclado e permaneceu no Centro da cidade até por volta das 3h da madrugada do crime.

Andou sem rumo certo, em direção à rodoviária, quando chegou numa casa de esquina, na qual ele nem sabia quem morava, e decidiu que iria praticar um roubo, já estava precisando de dinheiro. “Tentei abrir o portão e ele estava destrancado. Entrei no quintal e aguardei a movimentação da casa, ainda estava escuro.”

Como a luz da cozinha estava acesa, ele pôde observar que, naquele cômodo, havia movimento de pessoas. “Resolvi entrar. Antes, peguei uma pedra de cerca de 30 centímetros de diâmetro. A porta estava destrancada.”

A primeira pessoa a ser morta foi Maria Luiza Tonin, 90 anos. Usando a mão direita, o acusado desferiu nela um único golpe fatal. “Ela caiu e permaneceu imóvel”, conta.

Após golpear a idosa, o jovem assassino viu em sua frente Augusto Tonin, que tentou uma reação. “Ele veio na minha direção como se fosse me agredir. Com a mesma pedra, desferi dois golpes contra a cabeça dele. Ele caiu entre a cozinha e um cômodo anexo.”

O baiano deixou a cozinha com os dois corpos e seguiu para o quarto, onde encontrou R$ 200,00, que estava em cima de uma mesa, em notas sortidas. “Retornei para a saída, fazendo o mesmo trajeto”. Já do lado de fora, mais precisamente na varanda dos fundos, ele encontrou a terceira vítima, Rosa Tonin, 86 anos.

A mulher, que supõe-se que tivesse saído do banheiro do lado externo da casa, estava com uma toalha no pescoço, encontrou com o assassino, que, sem perder muito tempo, usou a mesma arma e desferiu três golpes contra sua cabeça.

Linha de investigação

Uma informação obtida pela Polícia Civil de Bariri foi o fio da meada que culminou com o pedido de prisão temporária para Clebson Nascimento de Jesus, conta o delegado que coordenou as investigações, Marcílio César Frederici de Mello.

De acordo com ele, rastreando as informações, soube-se que o acusado tinha saído da prisão e que havia cometido crime semelhante na cidade de Itápolis. “Lá, ele praticou dois roubos. Um deles foi contra um idoso, que morreu de enfarte. Foi condenado a 11 anos de prisão. Cumpriu seis anos e saiu no ano passado.”

Durante as investigações, a polícia descobriu que ele havia estado na cidade. “Ele foi encontrado na casa de sua irmã, nos fundos de uma igreja evangélica, na cidade de Boracéia. Não reagiu, mas não queria confessar. Algumas evidências levavam a ele e, quando percebeu isso, confessou.”

A prisão temporária por 30 dias foi decretada e, nesse período, as investigações continuam para angariar provas. “Ele alega que não planejava matar os idosos, mas acabou matando. Também nega ser o autor de outros três crimes contra idosos cometidos na cidade.”

Jovem franzino de 1,60 de altura, Clebson Jesus teve que ser retirado de Bariri para não ser linchado, comentou o delegado Seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho. “Ele vai ser recolhido em uma unidade prisional da região de Bauru.”

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Pagava sorvete

Augusto Tonin, 85 anos, era um típico morador de cidade pequena. Solteiro, morava com as duas irmãs e estava sempre na praça da Igreja Nossa Senhora das Dores, a mesma que suas irmãs freqüentavam há anos como apóstolas da oração.

Seu “Toninho”, como era conhecido, costumava contar histórias de seu passado e pagar sorvetes para as “meninas” que freqüentavam a praça. Maria de Lima Reis lembra que ele agradava as mulheres. “Ele pagava sorvete e dava pequenas quantias para que elas superassem algum aperto financeiro. Ele chegou a comprar fraldas para o meu neto, em determinada época.”

A bondade de seu “Toninho” para com as “meninas” da praça, na versão de alguns moradores, suscitava suspeitas. “Algumas dessas mulheres beneficiadas eram casadas e muitos acreditavam que o autor do crime pudesse ser o marido de uma delas.

Em função disso, a polícia ouviu cerca de 15 suspeitos. Um deles, Alessandro de Lima Reis, conta que foi levado à delegacia junto com um tal de Marcos. “Eu contei a verdade. No dia do crime, estava dormindo com a minha mulher.” O Marcos foi ouvido e também apresentou seu álibi. “Ele estava jogando baralho. As irmãs dele, que moram em Bauru, vieram buscá-lo. Ele foi embora com a autorização da polícia.”

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‘Estou arrependido’

O dia estava amanhecendo quando o jovem assassino deixou a casa. Com R$ 200,00 no bolso, a pedra e um pano de prato subtraído da cozinha de suas vítimas, ele foi direto para um rio, próximo ao Centro da cidade. Ali, ele abandonou a pedra e o pano.

Seguiu para a saída de Boracéia onde pegou uma carona em um Gol vermelho. Ele foi para casa e, no dia seguinte, fez compras no mercado e pagou uma conta de R$ 50,00 na farmácia. Após a prisão, Clebson diz que não queria matar. “Eu estou arrependido do que fiz.”

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