Mais uma vez, a forte chuva de ontem à noite trouxe a Bauru uma rotina de transtornos e desgostos. Em apenas duas horas, choveu 28% do previsto para o mês. Recorrente, os problemas “típicos do período das águas” soam aviltantes por quem teve a casa destelhada, acompanhou o carro quase rodar em ruas alagadas, foi atingido por galhos de árvores ou ficou mais de uma hora sem energia elétrica.
Vanessa da Silva Melo dos Santos é um exemplo. Ontem à noite, ela disputava uma marquise com os vizinhos, de onde podia observar, mesmo no escuro, parte do teto de zinco de uma igreja na rua Luiza Pecchi Samogim, no Núcleo Habitacional Edmundo Coube, que desabou. A família dela é proprietária do salão onde os fiéis rezavam e morava no fundo da igreja.
Diz-se morava porque ontem precisou ser acolhida por vizinhos. Com bebê no colo, ela lamentava a situação. A irmã comentava que queria fugir. Já nem ligava mais em atravessar a forte correnteza da água na rua, que se avolumava de modo inesperado. Em apenas duas horas, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) registrou o acúmulo de 51,1 milímetros de água.
“A média climatológica para o mês de fevereiro é de 181 milímetros. É uma chuva forte, que começou às 19h40. O pico foi às 20h”, informa o meteorologista Adelmo Correio. No auge da intensidade da chuva, vários veículos ficaram parados em pontos “tradicionais” como as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves, nas proximidades do viaduto da Marechal Rondon.
Com ar de desolação, os motoristas preferiram não comentar a situação com a reportagem. Já os fiéis de outra igreja no Edmundo Coube preferiram demonstrar insatisfação com a queda de uma árvore sobre o prédio. “Ainda bem que não tinha ninguém na hora. Imagine o risco? Quebrou o telhado e está entrando água. Teremos de tirar os instrumentos daqui”, explica a diaconisa Eliane Pezenatto.
A direção da igreja já havia solicitado o corte da árvore, que dava choque por estar encostada na fiação elétrica. Aliás, a rede mantida pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) foi atingida em pontos diversos, durante o temporal. Vários bairros foram afetados, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. O Núcleo Edmundo Coube, por exemplo, ficou mais de uma hora às escuras.
“Os problemas são tão iguais que não conseguimos outras palavras para descrevê-los”, afirma Brito. Mais uma vez, ele informou que a avenida Alfredo Maia foi inundada e que ruas de bairros como Pousada da Esperança 1 e 2, Parque Roosevelt e Jardim Santa Fé, estarão praticamente intransitáveis hoje.