Lençóis Paulista - A prefeitura e os comerciantes da região central de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) calculavam, ontem, os prejuízos causados pelas duas enchentes que castigaram a cidade, na última segunda-feira. Para recuperar a pavimentação urbana, máquinas, pontes e pagar a contratação de serviços serão necessários pelo menos R$ 300 mil. O prefeito José Antonio Marise (PSDB) esclareceu, ontem, que os recursos serão solicitados à Defesa Civil do Estado em uma audiência na próxima semana.
As enchentes no Rio Lençóis foram causadas pelo rompimento de quatro barragens em Borebi e uma em Lençóis Paulista.
Segundo Marise, apenas para refazer o asfalto das ruas devem ser gastos de R$ 50 mil a R$ 80 mil. Os R$ 300 mil que devem ser gastos pela administração equivalem a cerca de 10% do total de R$ 3 milhões reservados no orçamento municipal para investimentos este ano.
O comércio do Centro aproveitou os últimos dois dias para limpar e verificar que, o que não foi inutilizado, poderá ser comercializado, porém, com valores muito abaixo. Gelson Saranholi, 42 anos, instalou sua gráfica há 12 anos no imóvel 503 da rua Coronel Joaquim Ansemo Martins. A gráfica está parada com dez motores de máquinas no conserto após serem encharcados pela água e areia que invadiu o prédio. “Faz dois dias que não rodo nada na gráfica por causa da enchente”, lamenta.
Na última segunda-feira, funcionários e proprietário corriam para salvar computadores e a grande quantidade de papel, insumo muito usado numa gráfica. Porém, as três máquinas impressoras, máquinas de corte de papel, guilhotina, picotador, furador, equipamentos pesando entre 200 e 300 quilos cada um, foram danificados por ser impossível sua remoção. Para o empresário, perda maior são com os dias parados. Porém, Saranholi ainda encontra ânimo por considerar pequena a perda de cerca de R$ 2 mil com papel. “Quero ver mesmo depois com o conserto dos motores. O Centro da cidade inteiro fica próximo do Rio Lençóis e a cada chuva forte a gente fica preocupado”, comenta.
Em um depósito de materiais de construção, a proprietária Maria Corrêa Dutra, 50 anos, lamenta que o seguro não pague perdas com enchente. O comércio, também na Ansemo Martins, teve seu galpão de mercadorias completamente invadido pela água. Segundo Dutra, já deu para contabilizar a perda de 250 sacos de cimento de 50 quilos e 50 sacos de cal de 20 quilos. Ferramentas e móveis - gabinetes de cozinha, armários de banheiro - e portas de ferro vão sofrer desvalorização devido à enchente. Conforme Dutra, ainda não foi possível precisar a perda com os pisos.
Abastecimento
Depois de dois dias com falta d’água, está prevista para hoje a normalização do abastecimento. O diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Lençóis Paulista, José Alexandre Moreno, explicou que ontem, por volta das 16h, o ponto de captação de água foi desobstruído, possibilitando a retomada da produção de água tratada na Estação de Tratamento de Água (ETA). Durante a noite de ontem, Moreno projetou a retomada gradativa do abastecimento até atingir 100% da cidade.
Caminhões-pipas abasteceram a região do bairro Cecap, Jardim Primavera e Vila Contente, locais castigados pela enchente. O diretor do SAAE ressaltou que o Hospital Nossa Senhora da Piedade e as unidades de saúde também foram supridos durante todo o dia pelos caminhões d’água.
Ontem, o nível do Rio Lençóis continuava alto mas voltou a correr em seu leito normal.
A situação das 50 moradias da Vila Contente invadidas pela enxurrada, na noite da última segunda-feira, volta gradativamente à sua normalidade. Com a baixa do nível d‘água do Córrego Corvo Branco, afluente do Rio Lençóis, as ruas e imóveis foram limpas durante a noite de anteontem e durante o dia de ontem. A prefeitura está dando assistência a cerca de 20 a 30 famílias mais afetadas pelo alagamento. Moreno explica que o bairro está em um dos pontos mais atingidos por inundações.