Cultura

Artista recebe prêmio na Bienal de Roma

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um feito inédito na história da arte brasileira foi conquistado pela artista plástica radicada em Bauru há 32 anos Sueli Dabus. Anteontem, ela foi notificada sobre sua primeira colocação na categoria pintura da Bienal Internacional de Arte de Roma, com o quadro “Sinfonia das Flores” (1,80m X 2,50m). O evento foi realizado entre os dias 3 e 13 de fevereiro, na Itália. “Sou a primeira brasileira a ser contemplada com este prêmio. Foi uma surpresa muito grande, eu não esperava. A sensação é de realização, de festa!”, diz, emocionada.

Motivo para comemorar é o que não falta. Sua obra competia com quadros de mais de 54 países e, além dessa conquista, há dois meses, a artista foi a terceira classificada com a tela “Flores do Brasil” (2,50m X 3,00m) na Bienal Internacional de Arte de Florença, em dezembro, que reuniu trabalhos de 79 países.

Com um estilo único, marcado pelo figurativo contemporâneo, a artista abusa das cores e das sombras para imprimir nas telas imagens que se mesclam a traços abstratos, sem no entanto, perder a essência de suas formas. “Minha técnica é mista. Misturo vários materiais, como tinta acrílica, americana, japonesa, produtos recicláveis e óleo. São obras com tendências abstratas em que é possível sentir o desenho”, define.

Sem se prender a um tema específico, Dabus retrata tudo o que passa em sua mente, mas não nega sua predileção pelas flores. “O formato único de cada uma, suas cores, tudo isso me inspira”, diz. E foi essa temática a responsável por seu convite às duas bienais. Em agosto de 2005, a artista inaugurou um painel na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e expôs no local 29 telas sobre flores. “Na inauguração, esteve presente uma comitiva da delegação italiana que se interessou pelo meu trabalho e me convidou para participar das bienais”, conta.

A partir de então, Dabus debruçou-se sobre seus pincéis durante 60 dias, num regime puxado de oito horas diárias, para compor as duas obras premiadas. “Não é simplesmente sentar e fazer. São várias etapas, camadas e técnicas, que demandam tempo”, explica. Mas o esforço foi recompensado. Com as premiações, a artista recebeu dois convites já aceitos para expor individualmente, no mês de julho, suas flores na Galeria Zanon e no Palácio Barberini, em Roma. “Além dessas exposições, estou analisando mais dois convites para expor no Kuwait e em Fondi, na Itália”.

Reconhecimento, enfim

Com um histórico de 30 anos dedicados à pintura, mais de 4 mil obras e 50 exposições individuais, Dabus vem colhendo ao longo dos anos o resultado de seu empenho. São mais de 20 prêmios conquistados no Brasil e no Exterior fruto de muito trabalho, pesquisa e inspiração divina. “Minha espiritualidade é muito forte. Difícil descrever em palavras, mas, em minhas obras, essa energia fica nítida. Muitos desenhos me aparecem em sonhos, como os anjos que eu pinto”, diz a artista.

Nascida em Mirandópolis, Interior de São Paulo, Dabus foi criada em fazenda, onde começou seus primeiros rabiscos. Foi lá também que se apaixonou pela anatomia dos cavalos, retratados em muitas de suas telas. Incentivada pelos pais, com 7 anos iniciou cursos de pintura e, em 1974, veio a Bauru para se profissionalizar no curso de educação artística da Fundação Educacional de Bauru, hoje Universidade Estadual Paulista.

Desde então, Dabus tem se aprimorado por meio de cursos realizados no País e no Exterior, mas até hoje a pintora lamenta a falta de reconhecimento dos artistas. “É muito complicado ter seu trabalho valorizado. Em Bauru, falta espaço para os artistas e incentivo político. Mas o problema não está só aqui, a arte é muito mais reconhecida no Exterior do que no Brasil”. Mesmo assim, o gosto pela pintura nunca a fez desistir. “Cada obra é como um filho que estou gerando”, diz. Sobre sua tela preferida, Dabus esquiva-se. “A obra que virá será a melhor!”

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