Você já pescou hoje!?!? - Não? Então corra. pegue seus apetrechos e vá pescar já!
Mas antes de sair, faça uma reflexão, relaxe a musculatura, inicie um alongamento, respire fundo, pense em coisas boas, deseje boa sorte ao mundo e agradeça a Deus por estar vivo e ser dono de um belo e eficiente molinete e de todos os outros acessórios que lhe possibilitam fazer uma gostosa pescaria!
Mais do que isso, leia com atenção o texto a seguir, de autoria de Ezequiel Theodoro da Silva, grande pescador, ser humano notável e um dos meus bons amigos.
“Um iniciante se aproxima e me pergunta como faço para pescar dourados. E eu, solidariamente, lhe explico: Deixe todas as suas preocupações em casa; não traga aborrecimentos para a beira do rio. Areje a sua cabeça e mergulhe completamente na natureza. Pense na igualdade dos seres; aqui não existem hierarquias, aqui são todos iguais, valem a mesma coisa ao lançarem a linha na água.
Imagine como a vida seria bem melhor, mais justa, caso todos os seres se pusessem em pé de igualdade, conscientes de que a vida é um ciclo de nascer, viver e morrer. Quando estiver planejando a pescaria e, depois, já em busca dos dourados, lembre-se das pessoas que não podem pescar porque são humildes, vivem apenas para trabalhar e garantir o pão, sem condições materiais para gozar os maravilhosos momentos das pescarias.
Os operários carcomidos pelos regimes econômicos injustos; os miseráveis que perambulam pelas ruas pedindo esmolas, os mais humildes, que nunca tiveram oportunidade de aprender a pescar; os presidiários que, limitados pelas paredes e grades, não podem sentir concretamente a liberdade das águas e dos peixes. Os doentes nos hospitais, encarcerados em camas e lutando para recuperar a sua saúde. Coloque-se no lugar daqueles meninos de rua, pivetes abandonados à própria sorte, que nunca tiveram um modelo ou testemunho familiar para gozar os momentos prazerosos da pesca.
Ponha-se no lugar das prostitutas de todas as idades, que são obrigadas a vender o próprio corpo para atender aos três roncos diários da necessidade de se alimentar. Ao esperar pelos ataques dos dourados, reflita sobre as virtudes humanas; sobre a necessidade de transformações sociais para que todos possam viver mais e melhor.
Ainda, enquanto os dourados não se aproximam da sua isca, medite sobre as ações você pode executar em benefício dos mais necessitados.
E quando o dourado agarrar o seu anzol e der aquele salto monumental, e quando você estiver soltando risos de alegria ao sabor dessa luta, e quando você estiver concentrado nas corridas do peixe, pense em tudo aquilo que você pode ser e fazer de modo que mais pessoas possam viver sensações semelhantes às que você agora vive e sente.
Finalmente, solte o peixe de volta na água para revigorar e fortalecer o seu próprio sentimento de liberdade. É assim, amigo, que devemos pescar os dourados”. Percebeu como pescar pode e deve ser um ato simples e prazeroso, mas ao mesmo tempo cheio de solidariedade, fraternidade e alegria? Comece a ser feliz e solidário já na sua próxima pescaria ....
Fernando Lucilha Júnior - pescador que acredita na “multiplicação dos peixes”.