Mais do que a durabilidade do motor, as transformações de um veículo, o popular “tuning”, devem levar em conta a segurança. “O tuning é qualquer alteração que transforme e deixe o veículo diferente de fábrica, não necessariamente apenas na aparência. Ele já virou moda, mas como tudo deve ser saudável e, principalmente, seguro. Só que há pessoas que cometem verdadeiras loucuras por não saberem como um carro foi projetado e quais as conseqüências que essas alterações podem gerar. Por isso, para mexer no automóvel é preciso seguir muitos critérios.”
A afirmação é do engenheiro mecânico bauruense Marcos Serra Negra Camerini ao alertar sobre o fato de poucos adeptos do “tuning” levarem em consideração os princípios de engenharia fundamentais para garantir e otimizar o desempenho, a durabilidade e, principalmente, a segurança dos veículos (leia dicas ao lado).
“Antes de se executar qualquer modificação, é obrigatório pensar que os automóveis possuem dimensionamentos, funcionalidades, ergonomias (ciência que estuda o posicionamento do ser humano no veículo) e vida útil específicas, que nunca devem ser esquecidas em nome, especialmente, da segurança e do respeito à lei ao rodar”, enfatiza Camerini.
Além disso, argumenta o engenheiro, para um projeto tuning bem-sucedido e responsável é igualmente importante estabelecer o tipo de utilização do automóvel. “Onde esse carro andará? Em vias urbanas dotadas de bons ou maus pisos? Em competições? Será apenas para exposição? As respostas a estes questionamentos são primordiais para o desenvolvimento de um bom veículo tunado”, considera.
O engenheiro sustenta, ainda, que até mesmo os estabelecimentos especializados no ramo devem “jogar limpo” com clientes interessados em personalizar seus veículos que, muitas vezes, são leigos. “É preciso ter ética e respeito com o consumidor, explicando o que determinada alteração pode gerar no veículo, como a diminuição da durabilidade do motor em caso de aumento de potência”, frisa Camerini.