“O clima é de pesar”. Esta é a frase usada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Alimentícia de Bauru e Região, Antônio Carlos de Oliveira Matheus, o Pardal, para comentar o fechamento da Bunge em Bauru e a demissão de pelo menos 162 funcionários. Sem outra alternativa, ele afirma que vai acompanhar a rescisão dos trabalhadores para que todos recebam todas as verbas indenizatórias às quais têm direito.
Para Pardal, apesar dos demitidos serem funcionários qualificados para atuar na indústria alimentícia, a reinserção de todos no mercado de trabalho será difícil. “A maioria dos demitidos é operador de máquinas com ensino fundamental ou médio altamente qualificados para a indústria alimentícia, mas temos poucas indústrias do setor em Bauru – somente a Adans, Mezzani e Sukest”, avalia.
Na região, lembra, há a Ajinomoto, em Pederneiras. Mas todas elas estariam com seus quadros de funcionários completos. Apesar de lamentar a decisão, ele entende que, nas atuais condições, a fábrica de Bauru não tinha condições de se manter no mercado.
“A maioria dos equipamentos é antiga, ultrapassada. Alguns são da época da fundação da fábrica, de 1937. Para modernizar, seria preciso um alto investimento e, além disso, o algodão, matéria-prima da fábrica, não é produzido na região”, analisa. A tendência é as empresas se fixarem próximo à fonte da matéria-prima, afirma Pardal, ressaltando que a Bunge de Bauru já produziu o melhor óleo de algodão do País.
Ele frisa que a empresa, além de garantir que todos os demitidos receberão as verbas indenizatórios, se comprometeu a reforçar a segurança do prédio, que ficará fechado. “A nossa preocupação também é com a população, com o uso do prédio, que o imóvel tenha uma função social. É por isso que está mais do que na hora da prefeitura implantar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) progressivo, para forçar a função social do imóvel”, completa.