Todos os meses, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) gasta cerca de R$ 300 mil por causa das “tranqueiras” que vão para o esgoto. A lista das coisas que literalmente vão pelo ralo em Bauru surpreende e tem até vestido de noiva. “Um absurdo”, diz o presidente do DAE, José Clemente Rezende. “Esse dinheiro poderia ser utilizado, por exemplo, para investimento em modernização”, avalia.
Só para se ter idéia, com o dinheiro gasto para limpar a sujeira provocada pelo mal uso do esgoto na cidade seria possível comprar dois caminhões novos por mês - os utilizados pelo DAE custam, em média, R$ 110 mil, segundo Clemente.
A agente administrativo do DAE Vilma Rosa da Silva e o diretor de manutenção e execução de rede, Manuelino Câmara Filho, chegam a se impressionar com a variedade de “tranqueira” que é retirada do esgoto em Bauru. Peça íntima, absorvente, preservativo, fralda descartável, chupeta, mamadeira, brinquedo, fio dental, pano de prato, plástico, todos os tipos de utensílios de cozinha – garfo e faca são os campeões -, meia, tênis, restos de bichos mortos estão na lista. Mas eles são unânimes quando questionados sobre qual o maior problema: excesso de água de chuva na rede coletora de esgoto.
Segundo Clemente Rezende, Bauru tem 112.876 ligações de água e 112.515 ligações de esgoto. Das ligações de esgoto, segundo dados oficiais do setor de fiscalização do DAE, 715 estão irregulares. São ligações que precisariam ser refeitas pelos proprietários dos imóveis, que preferem pagar a multa cobrada pelo DAE: R$ 8,50. Um preço considerado irrisório quando comparado ao que o usuário gastaria para refazer a ligação.
“A pessoa prefere pagar a multa por causa do valor, mas estamos revendo isso”, ressalta Clemente. Já está sob avaliação do Departamento Jurídico do DAE proposta que eleva a multa para R$ 1.000,00.
Rede velha
Segundo Clemente Rezende, Bauru tem 1.500 quilômetros de rede de água e a mesma quantidade de rede de esgoto. Boa parte da rede – tanto de água quanto de esgoto – é obsoleta e precisa ser trocada, processo que vem sendo feito aos poucos.
No caso do esgoto, cerca de 3 mil metros de redes de manilha já foram substituídas por PVC. A substituição é feita nos pontos mais críticos, ou seja, aqueles em que os problemas são mais constantes. Segundo Vilma da Silva, é difícil dizer qual ponto da cidade é o mais crítico. “Depende de uma série de fatores e da conscientização da população”, diz.
Vilma cita como exemplo regiões onde as tampas dos Postos de Visita de Esgoto (PV) são furtadas com freqüência – feitas de ferro fundido, elas são vendidas para ferros-velho.
“Sem a tampa, algumas pessoas jogam entulho, outras colocam galhos de árvores. Tudo isso acaba indo para a rede. Quando chove, a rede de esgoto, que é dimensionada para receber esgoto doméstico, acaba sendo sobrecarregada por água de chuva jogada irregularmente e lixo. É aí que aparecem os problemas e o retorno de esgoto nas residências”. Tanto Vilma quanto Manuelino Filho defendem uma campanha de conscientização para utilização da rede. Mesmo porque, não há um trabalho de manutenção preventiva da rede. Hoje, as equipes de manutenção são todas voltadas para atendimento da população.
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Trabalho de formiguinha
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) só sabe que há problema na rede de água e esgoto quando é acionado pela população através do telefone 0800. O trabalho de reparo é feito por cerca de 60 funcionários divididos em cinco regionais – Centro, Galvão de Castro (que atende a região do Jardim Redentor), Parque Vista Alegre, Vila Falcão e 9 de Julho (que atende o Jardim Bela Vista).
Por dia, segundo a agente administrativo Vilma Rosa da Silva, as reclamações passam de 60, divididas entre vazamento ou entupimento de esgoto e vazamento de água. No último dia 8, o número de solicitações de serviços chegou a 101. Quando chove, as reclamações aumentam.
Segundo Manuelino Filho, com um pouco mais de esforço do usuário, a rede seria poupada e, conseqüentemente, quem sofre com retorno de esgoto também.
Manuelino Filho relembra que a rede é dimensionada para receber esgoto doméstico – aguá do vaso sanitário, chuveiro, pias, tanque. Ainda assim, é preciso tomar alguns cuidados. Entre eles, colocar peneirinha na pia e no tanque.