Não é de hoje que Bauru é “chão de passagem” para muita gente e pólo empreendedor nas áreas de educação e negócios. Vindos da Capital para o Interior em busca de oportunidades, cursos acadêmicos, tratamentos médicos ou mesmo para uma viagem eventual, o Coração de São Paulo, Cidade Sem Limites, Brasil novo, recebe diariamente centenas de “forasteiros” que se hospedam, movimentam financeiramente o comércio, principalmente o setor hoteleiro, e vão embora.
De acordo com o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, Bauru passou a ser considerada “chão de passagem” e, consequentemente, tornou-se pólo empreendedor, quando do surgimento da malha ferroviária na cidade, em 1905. À época, com menos de 0,5% da população atual, ou seja, cerca de 1.500 habitantes, segundo Pelegrina, Bauru já tinha hotéis e pensões. “Após a inauguração da Noroeste, muitos mascates, comerciantes, políticos e empresários passavam por aqui. E isso foi muito positivo para o desenvolvimento da cidade”, afirma.
Se foi positivo no passado distante, o é ainda hoje e pelas mesmas razões. “O turismo de negócios é a vocação turística de Bauru. Os empresários, comerciantes e estudantes, em sua maioria, que passam pela cidade, geram pernoite em hotéis e pousadas, movimentam o ramo de alimentação, vida noturna e locadoras de automóveis”, exemplifica o presidente do Conselho Municipal de Turismo de Bauru (Comtur), Helerson de Almeida Balderrama.
Ele explica ainda que o fato de Bauru ser pólo educacional e centro de pesquisas na área da saúde também contribui para que muitos pessoas de outras regiões passem pela cidade. O Instituto Lauro de Souza Lima, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho), o Hospital Estadual e o recém-inaugurado Instituto Branemark têm ao seu redor diversas pousadas e pensões, que oferecem comida, cama e banho por um preço mais acessível se comparado aos hotéis.
“Só aqui nas redondezas do Centrinho são 23 pousadas e pensões. Surgiram muitos comerciantes e gente tentando ganhar a vida. É possível encontrar lojas de conveniência, carrinhos de lanche e farmácia”, comenta Telma Tercioti, proprietária de uma pousada localizada ao lado do hospital há 15 anos.
Segundo ela, sua clientela é formada quase que unanimemente por parentes de pacientes do Centrinho. “Temos alguns dentistas que vêm fazer especialização, mas a enorme maioria são familiares de crianças atendidas no hospital”, conta.
Próximos ao Centrinho, na avenida Nações Unidas, hotéis de alto padrão recepcionam investidores, pesquisadores e turistas. Com infra-estrutura moderna e requintada, estes hotéis são o cartão-postal da cidade quando a assunto é hospedagem.
Sem o filão do Centrinho, nem uma localização privilegiada, hotéis e pousadas também se espalham por bairros um tanto afastados do Centro da cidade, como o Jardim Pagani, Jardim Colonial e Parque Jaraguá. Para estes empreendedores, a clientela é formada basicamente por representantes comerciais e viajantes.